
Pecuaristas brasileiros não ficarão 'à espera da China' e buscarão novos mercados, diz Perosa
Divulgação/ABA
Resumo
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve aumentar entre 5% e 7% o volume de carne bovina exportada para o bloco europeu, com o Brasil podendo acessar cerca de 41,6 mil toneladas da cota negociada sem tarifação, segundo a Abiec.
Impactos reais das exportações para a Europa são previstos apenas a partir de 2027 devido aos trâmites de ratificação, enquanto o setor enfrenta desafios imediatos como habilitação de novas unidades frigoríficas e restrições regulatórias impostas pela China, principal destino atual da carne brasileira.
Habilitação de 18 novas plantas industriais pode ampliar embarques ainda no primeiro semestre, com o acordo europeu visto como estratégico para diversificação de mercados e valorização do produto brasileiro, apoiado por práticas de sustentabilidade e sanidade animal.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgou, nesta segunda-feira (19), que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve aumentar entre 5% e 7% o volume de carne bovina exportada para o bloco europeu. Segundo o presidente Roberto Perosa, o Brasil deve abocanhar cerca de 41,6 mil toneladas da cota de 99 mil toneladas sem tarifação negociada para o grupo sul-americano.
Apesar do otimismo com a abertura do mercado europeu, a Abiec aponta que o benefício para os pecuaristas brasileiros não será imediato, e os impactos reais das exportações mais elevadas são esperados apenas a partir de 2027, devido aos trâmites de ratificação nos parlamentos dos países envolvidos. No curto prazo, o setor ainda lida com a necessidade de habilitação de novas unidades frigoríficas.
Perspectiva global e a China
Para 2026, a perspectiva para a pecuária de corte é de estabilidade. A Abiec estima que o volume total de exportações brasileiras fique entre 3,3 e 3,5 milhões de toneladas. Essa projeção conservadora deve-se, em grande parte, às restrições impostas pela China, que continua sendo o principal destino da proteína brasileira, mas apresenta desafios regulatórios imediatos.
Roberto Perosa ressaltou que o Brasil não pretende ficar "esperando a China" e busca diversificar seus parceiros comerciais, buscando novos destinos para a carne brasileira. O acordo com a União Europeia é visto como um passo estratégico para reduzir a dependência de um único mercado. No entanto, o setor defende uma regulação mais robusta por parte do governo brasileiro para as vendas ao mercado chinês.
Novas unidades e o futuro do setor
Um dos pontos de atenção para os próximos meses é a habilitação de 18 novas unidades industriais que aguardam autorização para exportar. A expectativa da Abiec é que a lista oficial com essas novas plantas seja divulgada nos próximos dias, o que pode dar fôlego extra ao volume embarcado ainda no primeiro semestre.
A carne bovina brasileira segue competitiva no cenário internacional, apoiada em práticas de sustentabilidade e sanidade animal. O incremento de até 7% na cota europeia, embora represente um volume menor se comparado ao mercado asiático, é considerado fundamental pela agregação de valor e pelo prestígio que o mercado da União Europeia confere ao produto nacional.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:
