O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), vice-presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul (ParlaSul), detalhou os próximos passos para a implementação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Em entrevista ao Jornal Gente, da Radio Bandeirantes, nesta segunda-feira (19), ele ressaltou a criação de uma subcomissão estratégica no Congresso Nacional para acompanhar a tramitação e reduzir gargalos burocráticos no processo legislativo.
A assinatura do tratado ocorreu no último sábado (17), no Paraguai, encerrando um ciclo de 26 anos de negociações. Segundo o senador, o Brasil busca agora dar celeridade ao texto, que precisa passar pelo crivo dos parlamentos de todos os países envolvidos antes de entrar efetivamente em vigor.
O senador Nelsinho Trad informou que já iniciou articulações com a presidência do Senado para garantir que o debate ocorra de forma rápida. O senador solicitou ao senador Davi Alcolumbre (União-AP) prioridade na pauta, visando uma aprovação célere, embora fundamentada em discussões democráticas. Trad projeta que a etapa brasileira de aprovação possa ser concluída em poucos meses. "A gente espera que até o meio do ano isso já esteja devidamente esgotado, pelo menos no Brasil", estimou Trad durante a entrevista.
Vale lembrar que o Congresso Nacional possui a prerrogativa apenas de aprovar ou rejeitar o texto integral do acordo. Não é permitido aos parlamentares realizar emendas ou alterações nos termos que já foram tabulados e assinados pelas representações diplomáticas dos blocos econômicos.
Benefícios para o agronegócio e resistências
Considerado o maior acordo de livre comércio do mundo, o tratado promete incentivos significativos à competitividade brasileira. O senador avalia que o ambiente é favorável para a aprovação, destacando benefícios diretos para o setor agropecuário e para a indústria nacional, graças à redução de tarifas de exportação e importação.
No entanto, o projeto ainda enfrenta barreiras no cenário internacional. Trad pontuou que a França deve manter sua postura histórica de resistência ao acordo, motivada principalmente pelo receio da concorrência dos produtos do agronegócio brasileiro no mercado europeu.
"A França vai se posicionar contra. Desde o início eles já se posicionaram contra, agora algo precisa ser devidamente analisado", observou o senador. Ele reforçou que o papel da nova subcomissão, criada dentro da Comissão de Relações Exteriores do Senado, será justamente monitorar esses desdobramentos geopolíticos.
Contexto geopolítico e potencial do Brasil
A análise de Nelsinho Trad também levou em conta a atual transformação geopolítica da Europa. Impactos de conflitos bélicos e mudanças nas políticas comerciais europeias podem influenciar a decisão final dos países do bloco sobre a ratificação do documento.
Para o senador, o Brasil possui um potencial estratégico para se consolidar como um fornecedor global de produtos de alta qualidade, especialmente no setor de alimentos. A subcomissão atuará para garantir que o país esteja preparado para os efeitos positivos que a integração econômica deve gerar.
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