Resumo
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia prevê isenção gradual de tarifas para frutas brasileiras, eliminando limites de volume exportado e beneficiando o setor de fruticultura nacional, que é o terceiro maior produtor mundial, mas ocupa a 24ª posição em exportações.
Produtores do Distrito Federal, como Ricardo e Dilza, investem em infraestrutura, diversificação e certificações para atender ao mercado externo, contando com apoio de órgãos como a Secretaria de Agricultura e Emater DF, que promovem eventos e atraem investimentos.
Tecnologia e inovação destacam a produção de maracujá de Júlio e Camila, que utilizam plantio adensado em estufas para obter frutas com alto índice de brics, característica valorizada em negociações com importadores franceses, com previsão de exportação a partir de 2027.
O setor de fruticultura nacional deve ser um dos mais beneficiados com a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Atualmente, as frutas brasileiras enfrentam uma taxação média de 10% para entrar no mercado europeu.
Com a consolidação do tratado, a previsão é de isenção gradual dessas tarifas e o fim de limites para o volume exportado, o que pode alterar o cenário atual, no qual o Brasil é o terceiro maior produtor mundial, mas apenas o 24º no ranking de exportações.
Produtores do Distrito Federal miram mercado externo
No Distrito Federal, fruticultores de Brazlândia já investem em infraestrutura para atender às exigências internacionais. Ricardo, produtor de morangos e tomates, mantém uma estrutura com câmara fria e agroindústria de ponta, restando apenas a regularização de certificações de origem e insumos para iniciar as vendas externas. A família produz cerca de 60 mil quilos de morango anualmente, volume que hoje atende exclusivamente ao mercado interno.
A diversificação de culturas também é uma estratégia na região. Dilza, servidora pública aposentada, iniciou há cerca de um ano uma lavoura com 4 mil pés de mirtilo. Ela planeja dobrar a produção para alcançar a escala exigida por compradores internacionais, que demandam fornecimento constante ao longo de todo o ano.
Para apoiar esses produtores, órgãos como a Secretaria de Agricultura e a Emater DF promovem missões comerciais e feiras. Segundo o setor, esses eventos têm atraído novos investimentos e aproximado os agricultores locais de grandes players globais.
Tecnologia e inovação no cultivo de maracujá
Outro exemplo de preparação para o mercado europeu vem da produção de maracujá de Júlio e Camila. Eles estão em fase de fechamento de parceria com importadores franceses para o envio de polpa de fruta, com previsão de início dos embarques para os primeiros meses de 2027.
O diferencial competitivo da produção está na tecnologia de plantio adensado e em estufas, desenvolvida pelos próprios produtores desde os anos 2000. Esse manejo resulta em frutas com alto índice de brics — medida que determina a quantidade de açúcares solúveis no alimento. O maracujá produzido pela dupla é classificado como azedo, mas o brics elevado promove uma "quebra" na acidez, tornando o produto mais palatável para o consumo direto e uso culinário.
Entenda os termos técnicos
Brics: É a unidade de medida utilizada para verificar a quantidade de açúcar em frutas e vegetais. Quanto maior o grau Brics, mais doce é o produto.
Plantio Adensado: Técnica que consiste em plantar as mudas com menor espaçamento entre elas, aumentando o número de plantas por hectare e, consequentemente, a produtividade da área.
Certificação de Origem: Documento que atesta a procedência do produto, garantindo que ele segue normas específicas de qualidade e segurança exigidas pelo país importador
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