Agroband

Agro impulsiona balança comercial e Brasil tem superávit de US$ 68,3 bi

Exportações do agronegócio saltaram 43,5% somente em dezembro e overno projeta até US$ 90 bilhões para 2026

VIVIANE TAGUCHI

06/01/2026 • 19:27 • Atualizado em 06/01/2026 • 19:27

Exportações brasileiras no agronegócio

Exportações brasileiras no agronegócio

Mapa

A balança comercial brasileira encerrou 2025 com um saldo positivo, sustentado pela fs vendas externas, com destaque para o desempenho do campo na reta final do ano. O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 68,293 bilhões nos 12 meses do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Compartilhar

Embora o saldo total tenha recuado 7,9% na comparação com 2024, o resultado consolidado do ano entra para a história como o terceiro maior superávit da série histórica, ficando atrás apenas dos dois anos anteriores. O destaque absoluto, no entanto, ficou para o volume total de dinheiro que circulou nas transações internacionais.

Um dos indicadores mais importantes para medir a inserção do Brasil no mercado global é a corrente de comércio — termo técnico que representa a soma de tudo o que o país vendeu (exportações) e comprou (importações). O país bateu recorde histórico e o comércio alcançou US$ 629,059 bilhões, uma alta de 4,9% em relação ao ano anterior. Isso significa que, nunca antes na história, o Brasil movimentou tantos valores em trocas comerciais com o mundo. As exportações totais somaram US$ 348,676 bilhões (aumento de 3,5%), enquanto as importações ficaram em US$ 280,383 bilhões (crescimento de 6,7%).

A força do agro em dezembro

Se o acumulado do ano foi robusto, o mês de dezembro de 2025 merece um capítulo à parte, protagonizado pelo agronegócio. No último mês do ano, o superávit foi de US$ 9,633 bilhões — um salto impressionante de 107,8% na comparação com dezembro de 2024. O grande motor desse crescimento foi o setor agropecuário. As exportações de produtos do campo tiveram uma expansão de 43,5% no período.

Esse desempenho superou proporcionalmente outros setores importantes, como a indústria de transformação, que cresceu 11%. A indústria extrativa (minérios e petróleo) também teve excelente performance, com alta de 53%. No sentido inverso, as importações agropecuárias (o que o Brasil compra de fora) subiram de forma tímida, apenas 2,3% em dezembro, o que ajudou a garantir o saldo positivo na balança setorial.

China amplia compras; EUA reduzem pedidos

O mapa dos parceiros comerciais do Brasil em dezembro mostra um direcionamento cada vez mais forte para o Oriente. A China, principal cliente das commodities brasileiras, aumentou suas compras em 39,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O movimento chinês puxou o resultado de toda a Ásia, cujas importações de produtos brasileiros subiram 37,4%. A Europa também apareceu com destaque, registrando um avanço de 38,9% nas aquisições.

Por outro lado, as vendas para a América do Norte perderam fôlego na reta final do ano. As exportações para os Estados Unidos caíram 7,2% em dezembro, contribuindo para uma leve retração de 1,1% no bloco norte-americano. Já na vizinhança, a América do Sul reagiu bem, com um aumento de 14,8% nas compras de produtos do Brasil.

Projeções otimistas para 2026

A Secex também apresentou suas estimativas para 2026. A expectativa do governo é de manutenção do cenário positivo e a projeção oficial indica que o superávit comercial em 2026 deve ficar em um intervalo entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. Para atingir essa meta, o governo trabalha com os seguintes cenários:

Exportações: devem variar entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões.

Importações: estimadas entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Corrente de comércio: pode chegar a até US$ 670 bilhões, o que renovaria mais uma vez o recorde histórico de movimentação financeira do país.

Tópicos relacionados