
Clima e entressafra deixam o feijão mais caro, mas o café começa aliviar o bolso do consumidor
Sebastião de Araújo/Embrapa
Os preços do feijão e do café apresentam movimentos opostos e intensos no mercado brasileiro neste encerramento de maio e início de junho. Enquanto o feijão registra altas acumuladas de até 37%, o café recua devido à perspectiva de uma produção histórica.
Os dados foram levantados pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), com base em informações de mais de 100 corretoras associadas em diversas regiões produtoras. No Porto de Paranaguá (PR), a saca de 60 quilos do feijão-preto disponível atingiu o patamar de R$ 228,00.
Entressafra e clima pressionam o feijão
De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), o mercado do feijão-carioca enfrenta atualmente o chamado ciclo de entressafra. Este termo técnico refere-se ao período entre o fim de uma colheita e o início da próxima, quando a oferta do produto no mercado diminui naturalmente.
Para o feijão-preto, o Brasil segue dependente da importação vinda da Argentina para complementar seus estoques internos. Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Ibrafe, explica que fatores climáticos adversos agravaram a situação das cotações.
"A seca registrada em Goiás e Minas Gerais, somada às geadas ocorridas no Paraná, impulsiona os preços com força neste momento", avalia Lüders. No Oeste da Bahia, a alta acumulada no mês de maio chegou a 22%.
Preços devem recuar no segundo semestre
Apesar do susto atual para o bolso do consumidor, a tendência de alta não deve se sustentar nos próximos meses. O presidente do Ibrafe ressalta que o cenário deve mudar em cerca de 30 dias.
A previsão é que a entrada da terceira safra do feijão-carioca no mercado normalize o abastecimento. Com o aumento da oferta, a expectativa é que os preços retornem a patamares mais baixos ao longo do segundo semestre de 2026.
Safra recorde derruba cotações do café
Em uma direção completamente oposta, o café registra quedas acentuadas. Em Guaxupé (MG), importante polo cafeeiro, o recuo mensal nas cotações ultrapassa os 15%, com a saca de 60 quilos do café arábica cotada a R$ 1.568,00.
Em Franca (SP), o movimento é semelhante, com queda próxima a 15% e saca registrada a R$ 1.570,00. O principal motivo para este recuo é a combinação do início da colheita com a perspectiva de uma safra recorde no Brasil.
Segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira para o ciclo 2026/27 está estimada em 66,7 milhões de sacas. O volume representa um crescimento de 18% em comparação ao ano de 2025.
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