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Preço do feijão sobe 37% e café começa ficar mais barato

Entressafra e clima impulsionam valor da saca de feijão no país; expectativa de safra recorde faz preço do café arábica recuar em junho de 2026

Da redação
DA REDAÇÃO

02/06/2026 • 17:56 • Atualizado em 03/06/2026 • 07:30

Clima e entressafra deixam o feijão mais caro, mas o café começa aliviar o bolso do consumidor

Clima e entressafra deixam o feijão mais caro, mas o café começa aliviar o bolso do consumidor

Sebastião de Araújo/Embrapa

Os preços do feijão e do café apresentam movimentos opostos e intensos no mercado brasileiro neste encerramento de maio e início de junho. Enquanto o feijão registra altas acumuladas de até 37%, o café recua devido à perspectiva de uma produção histórica.

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Os dados foram levantados pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), com base em informações de mais de 100 corretoras associadas em diversas regiões produtoras. No Porto de Paranaguá (PR), a saca de 60 quilos do feijão-preto disponível atingiu o patamar de R$ 228,00.

Entressafra e clima pressionam o feijão

De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), o mercado do feijão-carioca enfrenta atualmente o chamado ciclo de entressafra. Este termo técnico refere-se ao período entre o fim de uma colheita e o início da próxima, quando a oferta do produto no mercado diminui naturalmente.

Para o feijão-preto, o Brasil segue dependente da importação vinda da Argentina para complementar seus estoques internos. Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Ibrafe, explica que fatores climáticos adversos agravaram a situação das cotações.

"A seca registrada em Goiás e Minas Gerais, somada às geadas ocorridas no Paraná, impulsiona os preços com força neste momento", avalia Lüders. No Oeste da Bahia, a alta acumulada no mês de maio chegou a 22%.

Preços devem recuar no segundo semestre

Apesar do susto atual para o bolso do consumidor, a tendência de alta não deve se sustentar nos próximos meses. O presidente do Ibrafe ressalta que o cenário deve mudar em cerca de 30 dias.

A previsão é que a entrada da terceira safra do feijão-carioca no mercado normalize o abastecimento. Com o aumento da oferta, a expectativa é que os preços retornem a patamares mais baixos ao longo do segundo semestre de 2026.

Safra recorde derruba cotações do café

Em uma direção completamente oposta, o café registra quedas acentuadas. Em Guaxupé (MG), importante polo cafeeiro, o recuo mensal nas cotações ultrapassa os 15%, com a saca de 60 quilos do café arábica cotada a R$ 1.568,00.

Em Franca (SP), o movimento é semelhante, com queda próxima a 15% e saca registrada a R$ 1.570,00. O principal motivo para este recuo é a combinação do início da colheita com a perspectiva de uma safra recorde no Brasil.

Segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira para o ciclo 2026/27 está estimada em 66,7 milhões de sacas. O volume representa um crescimento de 18% em comparação ao ano de 2025.