
Demanda por feijão preto está aquecida, mas oferta está baixa
Sebastião de Araújo/Embrapa
Os preços dos feijões carioca e preto mantêm tendência de alta neste início de maio, impulsionados pela oferta limitada nas principais regiões produtoras e pelo ritmo lento da colheita no Paraná. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o desenvolvimento tardio das lavouras paranaenses e a ocorrência de chuvas irregulares postergaram os trabalhos de campo, reduzindo a disponibilidade do produto no mercado.
O Paraná ocupa a posição de maior produtor da segunda safra de feijão no Brasil. No entanto, o calendário de colheita no estado sofreu atrasos significativos, o que mantém os agentes do setor em estado de alerta. Além do atraso atual, novas projeções indicam recuos no volume de produção para a temporada 2025/26 no estado, fator que contribui para a sustentação das cotações elevadas.
O feijão foi um dos produtos que encareceu o custo da cesta básica em abril, conforme divulgado pelo Dieese nesta segunda-feira (11).
O impacto do clima
A disponibilidade reduzida de grãos na última semana é reflexo direto das condições climáticas adversas enfrentadas pelos produtores do Sul. As chuvas irregulares impediram que as máquinas avançassem no ritmo esperado, enquanto o desenvolvimento das plantas ocorreu de forma mais lenta que em ciclos anteriores.
Os agentes de mercado permanecem cautelosos quanto ao volume de negociações. O cenário de preços elevados, somado à aproximação de uma frente fria na região Sul, gera incertezas sobre a qualidade e o volume final da safra. Esse comportamento defensivo dos compradores é uma resposta direta à menor oferta de novos grãos no momento.
Demanda aquecida por feijão preto
Enquanto o feijão carioca sustenta seus patamares de preço pela escassez, o feijão preto ganhou destaque especial no interesse dos compradores. A demanda por novos grãos da segunda safra está aquecida, refletindo a necessidade de abastecimento das redes varejistas e da indústria de empacotamento.
O Paraná é um termômetro para o mercado nacional de feijão. A quebra nas projeções para 2025/26 e os entraves logísticos causados pelo clima sugerem que o patamar de preços deve continuar pressionado até que a colheita ganhe fôlego. Para o consumidor final, o cenário indica que o produto deve seguir com preços firmes nas prateleiras nos próximos dias.
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