
Demanda aquecida e menor oferta de feijão carioca no mercado eleva o preço para o consumidor
Sebastião de Araújo/Embrapa
Os preços do feijão carioca registraram altas expressivas na última semana, impulsionado pelo período de transição entre o encerramento da primeira safra e o início da segunda. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse movimento de alta é sustentado por uma combinação de demanda aquecida por parte dos compradores e a oferta limitada de grãos que apresentam melhor qualidade no campo.
O comportamento atual dos preços do feijão indica um mercado firme, com valorizações disseminadas pelas principais regiões produtoras. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que há uma boa aceitação dos compradores para lotes de grãos de padrão superior, o que reforça a tendência de alta no curto prazo.
Desequilíbrio entre oferta e demanda
Esse padrão de preços sugere um desequilíbrio momentâneo no setor produtivo. Enquanto a primeira safra se aproxima do fim, a disponibilidade de feijão carioca com características ideais de cor e tamanho diminui, elevando a competição pelos melhores lotes disponíveis antes que a segunda safra ganhe volume no mercado.
O termo "primeira safra" refere-se ao ciclo de plantio realizado tradicionalmente entre os meses de setembro e novembro, com colheita no início do ano. Já a "segunda safra", também conhecida como "safrinha", é plantada entre janeiro e março. A transição entre esses períodos costuma gerar flutuações de preços devido à redução sazonal dos estoques.
Mercado de feijão preto opera com cautela
Diferente do cenário observado no feijão carioca, o mercado de feijão preto apresenta um ritmo mais lento. Segundo o Cepea, a demanda inconsistente tem limitado a capacidade de reação dos preços para este tipo de grão.
Mesmo em contextos pontuais onde a oferta é menor, a falta de uma procura constante por parte dos consumidores e da indústria impede que as cotações do feijão preto acompanhem o ritmo de valorização do carioca. Especialistas avaliam que o consumo de feijão preto é mais estável e menos sensível a variações de qualidade imediata quando comparado à preferência nacional pelo tipo carioca.
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