
A alta de preços incentiva a busca por fertilizantes de menor concentração, como o sulfato de amônio
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Resumo
O aumento do preço da ureia no mercado internacional, causado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, reduziu sua competitividade no Brasil e levou empresas a priorizarem o sulfato de amônio para a safra de 2026, segundo análise da StoneX.
O impacto dos conflitos em regiões exportadoras afetou a oferta global de nitrogenados, elevou preços e fez importadores nacionais revisarem estratégias, optando por fertilizantes de menor concentração para controlar custos diante de crédito rural restrito e margens de lucro pressionadas.
Os dados de 2026 mostram queda de quase 33% nas importações brasileiras de ureia e crescimento de 19% nas compras de sulfato de amônio, confirmando a tendência de substituição diante do cenário de conflito prolongado e busca por melhor relação de custo-benefício.
A valorização da ureia no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, deve levar o Brasil a priorizar o sulfato de amônio em 2026. De acordo com análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, as cotações CFR (Custo e Frete) da ureia no país saltaram cerca de 35% em apenas duas semanas, reduzindo a competitividade do insumo perante alternativas mais econômicas.
O movimento reflete o impacto de novos conflitos em regiões que concentram grandes exportadores de nitrogenados, o que gerou desafios logísticos e reduziu a oferta global. Mesmo em um período de tradicional calmaria nas compras nacionais, os preços aceleraram, forçando importadores a revisarem o planejamento para o próximo ano.
Estratégia de substituição ganha força
Para o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, a alta de preços incentiva a busca por fertilizantes de menor concentração, como o sulfato de amônio. Pernías explica que essa substituição oferece condições de aquisição mais favoráveis em momentos de crise, permitindo que os compradores gerenciem melhor os custos operacionais.
Cenário semelhante foi registrado em 2025, quando a ureia permaneceu em patamares elevados por períodos prolongados. Naquela ocasião, as empresas brasileiras já haviam adotado o aumento das aquisições de produtos menos concentrados para manter a viabilidade das margens de lucro.
Impacto direto no bolso do produtor
O aumento nos custos dos insumos agrícolas é um fator de preocupação para o setor, especialmente em um ambiente onde o crédito rural está mais restrito. A pressão nos custos de produção, somada a preços agrícolas menos favoráveis, torna o planejamento financeiro da safra um desafio extra para o produtor.
"Preços elevados de fertilizantes pressionam os custos de produção. Em um cenário de crédito escasso, isso se torna um fator decisivo para a tomada de decisão dos produtores", ressalta Pernías. O termo 'crédito escasso' refere-se à menor disponibilidade de financiamentos bancários ou juros mais altos para o setor.
Dados confirmam tendência em 2026
Os indicadores dos primeiros meses de 2026 já apontam para a consolidação dessa mudança. As importações brasileiras de ureia acumulam uma queda de quase 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. No caminho inverso, as compras externas de sulfato de amônio registraram um crescimento de 19% na mesma base de comparação.
A StoneX projeta que, caso o conflito no Oriente Médio gere novas restrições produtivas, a ureia seguirá pressionada no mercado internacional. Nessas condições, a tendência é que os importadores brasileiros mantenham o foco em fertilizantes com melhor relação de custo-benefício para garantir o abastecimento das próximas colheitas.
