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Bancos de germoplasma: como é feita a proteção da biodiversidade agrícola

Estruturas mantidas por institutos da Secretaria de Agricultura de São Paulo garantem o melhoramento genético e a segurança alimentar para o futuro

Da redação
DA REDAÇÃO

16/03/2026 • 13:55 • Atualizado em 16/03/2026 • 13:55

O Banco de Germoplasma (BAG) de citrus possui a maior coleção de citros do mundo com 1.735 tipos

O Banco de Germoplasma (BAG) de citrus possui a maior coleção de citros do mundo com 1.735 tipos

Divulgação/AgênciaSP

Os bancos de germoplasma funcionam como verdadeiros guardiões da diversidade genética, preservando sementes, plantas, microrganismos e linhagens animais essenciais para a agricultura de São Paulo. Essas unidades, mantidas por institutos de pesquisa ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), formam um acervo estratégico que sustenta o desenvolvimento de novas variedades mais produtivas e resistentes.

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A conservação desses materiais permite que pesquisadores encontrem soluções para desafios contemporâneos, como o surgimento de pragas e as mudanças climáticas. Em São Paulo, os institutos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) concentram coleções que são referências internacionais em diversas culturas.

O Instituto Agronômico (IAC-APTA) detém um dos patrimônios genéticos mais robustos do estado, com cerca de 12 mil amostras de 46 espécies agrícolas. Entre os ativos mais relevantes está o Banco de Germoplasma (BAG) de Café, considerado o maior do Brasil, com 988 acessos catalogados.

Além do café, o instituto abriga o BAG-Citros, que detém a maior coleção de citros do mundo, somando 1.735 tipos diferentes. O acervo inclui ainda culturas fundamentais como cana-de-açúcar, feijão, amendoim, seringueira, mandioca, uva e batata, servindo de base para o melhoramento genético contínuo.

Inovação na produção animal e aquicultura

No setor de proteína animal, o Instituto de Pesca (IP-APTA) gerencia, desde 2018, o primeiro banco de germoplasma de tilápia do Brasil. A estrutura atua como um arquivo vivo de material genético, preservando linhagens da tilápia-do-nilo para apoiar programas de melhoramento da espécie, que é a mais consumida no mercado nacional.

O IP também mantém coleções de macroalgas, microalgas marinhas, bactérias e cianobactérias, além de exemplares de peixe-zebra e truta arco-íris. Essas estruturas são fundamentais para o avanço científico e a sustentabilidade da aquicultura no estado de São Paulo.

Sustentabilidade e controle biológico

O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), em Nova Odessa, abriga o Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Forrageiras (IZ–FOR). Forrageiras são as plantas que servem de alimento para animais de produção, como bois, ovelhas e cabras, sendo consumidas em pastagens ou como forragem conservada.

A coleção do IZ reúne 286 amostras de gramíneas e 1.585 de leguminosas forrageiras, acumuladas desde a década de 1970. Atualmente, o instituto colabora com a iniciativa privada para validar e multiplicar novas sementes, focando em sistemas de produção animal que dependam de menos insumos externos.

Complementando a proteção fitossanitária, o Instituto Biológico (IB-APTA) mantém coleções de fungos e bactérias utilizados no controle biológico. O acervo possui 124 cepas de fungos do gênero Trichoderma, das quais duas já são licenciadas comercialmente para o combate a doenças em plantas e pragas agrícolas.