
O Banco de Germoplasma (BAG) de citrus possui a maior coleção de citros do mundo com 1.735 tipos
Divulgação/AgênciaSP
Os bancos de germoplasma funcionam como verdadeiros guardiões da diversidade genética, preservando sementes, plantas, microrganismos e linhagens animais essenciais para a agricultura de São Paulo. Essas unidades, mantidas por institutos de pesquisa ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), formam um acervo estratégico que sustenta o desenvolvimento de novas variedades mais produtivas e resistentes.
A conservação desses materiais permite que pesquisadores encontrem soluções para desafios contemporâneos, como o surgimento de pragas e as mudanças climáticas. Em São Paulo, os institutos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) concentram coleções que são referências internacionais em diversas culturas.
O Instituto Agronômico (IAC-APTA) detém um dos patrimônios genéticos mais robustos do estado, com cerca de 12 mil amostras de 46 espécies agrícolas. Entre os ativos mais relevantes está o Banco de Germoplasma (BAG) de Café, considerado o maior do Brasil, com 988 acessos catalogados.
Além do café, o instituto abriga o BAG-Citros, que detém a maior coleção de citros do mundo, somando 1.735 tipos diferentes. O acervo inclui ainda culturas fundamentais como cana-de-açúcar, feijão, amendoim, seringueira, mandioca, uva e batata, servindo de base para o melhoramento genético contínuo.
Inovação na produção animal e aquicultura
No setor de proteína animal, o Instituto de Pesca (IP-APTA) gerencia, desde 2018, o primeiro banco de germoplasma de tilápia do Brasil. A estrutura atua como um arquivo vivo de material genético, preservando linhagens da tilápia-do-nilo para apoiar programas de melhoramento da espécie, que é a mais consumida no mercado nacional.
O IP também mantém coleções de macroalgas, microalgas marinhas, bactérias e cianobactérias, além de exemplares de peixe-zebra e truta arco-íris. Essas estruturas são fundamentais para o avanço científico e a sustentabilidade da aquicultura no estado de São Paulo.
Sustentabilidade e controle biológico
O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), em Nova Odessa, abriga o Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Forrageiras (IZ–FOR). Forrageiras são as plantas que servem de alimento para animais de produção, como bois, ovelhas e cabras, sendo consumidas em pastagens ou como forragem conservada.
A coleção do IZ reúne 286 amostras de gramíneas e 1.585 de leguminosas forrageiras, acumuladas desde a década de 1970. Atualmente, o instituto colabora com a iniciativa privada para validar e multiplicar novas sementes, focando em sistemas de produção animal que dependam de menos insumos externos.
Complementando a proteção fitossanitária, o Instituto Biológico (IB-APTA) mantém coleções de fungos e bactérias utilizados no controle biológico. O acervo possui 124 cepas de fungos do gênero Trichoderma, das quais duas já são licenciadas comercialmente para o combate a doenças em plantas e pragas agrícolas.
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