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Bezerro atinge R$ 3 mil e preço de reposição tem alta de 20% em um ano

Valorização do animal em Mato Grosso do Sul é a maior desde 2021; pesquisadores do Cepea indicam que baixa oferta e demanda aquecida impulsionam mercado

Da redação
DA REDAÇÃO

05/03/2026 • 11:53 • Atualizado em 05/03/2026 • 11:53

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Resumo

O mercado de bezerro nelore registra preços acima de R$ 3.000 por cabeça em 2026, com destaque para Mato Grosso do Sul, onde a média chegou a R$ 3.236,30 em março e valorização superior a 20% em 12 meses.

A valorização real dos animais de reposição atingiu média de R$ 3.158,74 em fevereiro, representando o maior patamar desde dezembro de 2021, segundo dados deflacionados do IGP-DI no estado sul-mato-grossense.

A menor oferta de machos e a demanda aquecida dos terminadores, junto à pressão dos frigoríficos para atender exportações, impulsionam a alta dos preços e aumentam o custo de produção para pecuaristas nos próximos ciclos.

O preço do bezerro nelore (8 a 12 meses) mantém trajetória de alta neste início de 2026, sendo negociado acima de R$ 3.000 por cabeça na maioria das 28 regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em Mato Grosso do Sul, praça de referência para o setor, o animal atingiu a média de R$ 3.236,30 na parcial de março, consolidando uma valorização superior a 20% no acumulado de 12 meses.

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A valorização real dos animais de reposição — termo técnico que define a compra de animais jovens por pecuaristas para substituir os bois gordos enviados ao abate — alcançou em fevereiro a média de R$ 3.158,74 por cabeça. De acordo com dados deflacionados pelo IGP-DI, este é o maior patamar de preços registrado desde dezembro de 2021 no estado sul-mato-grossense.

Fatores que impulsionam a alta

Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento de valorização é sustentado por dois pilares principais: a menor oferta de machos no mercado e uma demanda significativamente mais aquecida por parte dos terminadores. Na pecuária, o "terminador" é o produtor responsável pela fase final de engorda do animal antes da venda para os frigoríficos.

Historicamente, os meses de março e maio apresentam picos sazonais nos preços de reposição. Isso ocorre porque é o período em que os pecuaristas precisam repor os lotes de bois gordos que estão saindo das fazendas para o abate. Com a saída desses animais, a busca por novos lotes de bezerros e bois magros intensifica a concorrência e eleva as cotações nas principais praças do país.

Pressão dos frigoríficos e exportações

Pelo lado da demanda final, o mercado de carne bovina segue pressionado pela forte procura dos frigoríficos por novos lotes de boi gordo. O foco principal das indústrias tem sido o atendimento aos contratos de exportação, o que mantém o ciclo de produção acelerado e os pecuaristas terminadores ativos nas aquisições de novos animais para engorda.

A manutenção desse cenário de preços elevados para o bezerro indica um custo de produção mais alto para o pecuarista nos próximos ciclos, refletindo a dinâmica de baixa oferta de animais no campo. O acompanhamento das cotações em tempo real é essencial para o planejamento estratégico da "porteira para dentro".