
Alho: há 30 anos, Brasil e China brigam por causa dele
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O alho é um produto usado em larga escala na culinária brasileira: não há feijão mais gostoso do que aquele temperadinho com alho, não é mesmo?. O produto, porém, é protagonista de uma briga internacional entre o Brasil e a China há anos. A Associação Nacional de Produtores de Alho (Anapa) já acionaram o governo federal para pedir ações anti-dumping contra o alho chinês, importado em larga escala pelo Brasil. A briga completa 30 anos em 2026.
Os brasileiros afirmam que a importação do alho chinês prejudica o setor produtivo nacional, provocando uma concorrência desleal. O grande problema é o chamado dumping, que é a prática de vender um produto no mercado externo por um preço inferior ao preço praticado no mercado interno do país de origem ou, muitas vezes, abaixo do próprio custo de produção.
A entrada massiva de alho chinês a preços baixíssimos prejudica gravemente os produtores brasileiros, causando perda de renda, redução da área plantada, desemprego no campo e dependência do produto importado.
Para proteger o setor produtivo nacional contra essa prática, o Brasil recorre a medidas de defesa comercial. Desde 1996, o Brasil aplica uma tarifa antidumping sobre o alho chinês. Essa tarifa é um imposto adicional cobrado sobre o produto importado para elevar seu preço de venda no Brasil e, assim, equalizá-lo com o custo de produção nacional, garantindo uma concorrência mais justa.
Essa medida precisa ser revista e renovada periodicamente (normalmente a cada cinco anos), o que sempre gera tensão e mobilização dos produtores nacionais e o setor luta pela manutenção ou aumento dessa tarifa.
De acordo com a Anapa, um dos principais problemas enfrentados pelos produtores brasileiros é a obtenção de liminares judiciais por empresas importadoras. Essas liminares permitem que o alho chinês entre no Brasil sem o pagamento da tarifa antidumping, minando o efeito da medida protetiva e causando grande perda de receita para o governo e dano à produção nacional.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produz em média, 250 mil toneladas de alho por safra.
Como saber se o alho é brasileiro ou chinês?
Embora o foco da polêmica seja o preço, a diferença de qualidade também é um argumento forte dos produtores brasileiros: o alho brasileiro, geralmente roxo, é cientificamente comprovado como tendo maior teor de alicina e outros compostos, o que se traduz em um sabor e aroma muito mais fortes.
Os produtores nacionais argumentam que, em termos de rendimento, o alho brasileiro oferece mais qualidade e que o consumidor, no final das contas, pode ter que usar 3 a 5 dentes do alho chinês para ter o mesmo sabor de um único dente do alho nacional.
Para saber se o alho é brasileiro (roxo) ou o chinês (branco), siga esta dica no supermercado:
- Retire a casca que envolve a cabeça do alho.
- Observe a casca que envolve os dentes individualmente.
- Se a casca do dente for arroxeada/roxa, é alho brasileiro.
- Se a casca do dente for branca ou marrom/castanha, é alho chinês (ou alho importado de semente chinesa).
🧄 Veja as principais diferenças entre o alho brasileiro e o alho chinês
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