
Variedade laurina é arábica e tem menos cafeína que as bebidas descafeinadas
Gilberto Marques/Secretaria da Agricultura do Estado de SP
Uma variedade de café especial com baixíssimo teor de cafeína: o café laurina pode ser a solução para quem ama um cafezinho, mas tem problemas com a cafeína, substância estimulante do sistema nervoso central e que, se ingerida em grandes quantidades pode provocar taquicardia, ansiedade, tremores e insônia.
O café Laurina é uma mutação da variedade ‘Bourbon Vermelho’ - a mais comum entre as arábicas - ocorrida na Ilha Reunião, um território francês localizado no Oceano Índico. De acordo com a Fundação Procafé, a variedade foi importada pelo Brasil e, a partir de 1932, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), instituição estadual que pesquisa variedades de café de todo o mundo, selecionou várias plantas da laurina. No Brasil, as plantas receberam o nome de Laurina 870.
Café arábica X café conilon: quem tem mais cafeína?
No mundo todo, existem em torno de 124 espécies diferente de cafés, mas dois tipos dominam o mercado: o café arábica e o café conilon (também chamado de canéfora ou robusta, dependendo da região ou país). O café arábica é o mais consumido no mundo, enquanto o café conilon é o mais utilizado como blend, um tipo mais solúvel que pode ser misturado aos demais.
Dentre as espécies de café comerciais, as arábicas e as conilon, as quantidades de cafeína são diferentes. As arábicas possuem um teor de cafeína geralmente mais baixo em comparação com as variedades de café robusta, variando entre 0,8% e 1,4%, enquanto o robusta pode ter de 1,7% a 4%. A Laurina, por sua vez, possuem entre 0,3% e 0,6% de cafeína.
Diferente das demais variedades arábicas, a laurina só ganhou mais espaço no mercado brasileiro nos últimos 10 anos devido à demanda por cafés descafeinados. O cafeeiro laurina é exigente e não era incentivado a ser cultivado devido à baixa produtividade e alto custo, já que é uma planta frágil, que exige mais cuidados que as demais e é vulnerável a doenças. No entanto, quando bem manejada, pode produzir uma bebida especial que tem valor mais alto no mercado e atende uma fatia importante do segmento de cafés especiais.
Café descafeinado tem cafeína
O café descafeinado passa por processos químicos para atender ao público “anti-cafeína”. Podem ser usados solventes como o cloreto de metileno ou acetato de etila, água quente filtrada com carvão, carvão ativado ou dióxido de carbono. O processo de descafeinização não remove 100% da cafeina e o produto pode conter em torno de 2% a 3% de cafeína, ou seja, mais que a laurina.
Por estas razões, o preço médio do quilo do café de variedades laurina chega a custar em torno de R$ 200. O bourbon vermelho, que também é considerado especial, custa em média, R$ 130 a R$ 150.
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