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Café sustentável do ES conquista mercado internacional com "solo vivo"

Produtores de Alfredo Chaves usam fungos da mata nativa para nutrir lavoura especial e exportar grãos de alta qualidade para Portugal

Da redação
DA REDAÇÃO

05/08/2026 • 16:09 • Atualizado em 05/08/2026 • 16:09

Um casal de cafeicultores do Espírito Santo inovou no setor de cafés especiais e desenvolveu um café sustentável com uma enorme aceitação no mercado internacional. Ives e Ana Paula cultivam variedades de café em uma propriedade rural localizada em São Bento de Urânia, na região serrana do Espírito Santo.

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A iniciativa combina técnicas agroecológicas e manejo do solo para gerar grãos de alta qualidade, alcançando reconhecimento nacional e projeção no mercado externo. A propriedade rural possui 30 hectares de área total, dos quais a maior parte é preservada com vegetação nativa da Mata Atlântica. Em 2020, os agricultores reservaram um hectare para o cultivo da lavoura de café, buscando aliar produtividade agrícola à preservação ambiental.

O pilar do projeto está na valorização do chamado solo vivo, conceito da agroecologia que prioriza a proliferação de microrganismos benéficos à terra, como bactérias, fungos e protozoários. Esses organismos aceleram a decomposição da matéria orgânica e facilitam a absorção de nutrientes pelas raízes do cafeeiro. "Um solo vivo, rico em bactérias, fungos e protozoários, oferece uma carga maior de nutrientes para a própria planta absorver com excelência", destacou Ives sobre o método adotado no cafezal.

Para multiplicar os microrganismos no solo, o casal utiliza uma técnica agroecológica de captura de fungos diretamente na vegetação nativa da propriedade. O procedimento consiste em colocar arroz úmido dentro de caixas forradas no fundo com voal de seda. O tecido atua como uma barreira física que impede a entrada de minhocas ou insetos indesejados nas caixas, permitindo que apenas os fungos naturais da floresta fiquem depositados no alimento. "Nós forramos o fundo da caixa com o voal de seda apenas para evitar a entrada de minhocas ou outros bichos por baixo, pois o objetivo é capturar exclusivamente os fungos da mata", explicou Ives.

A primeira colheita da área ocorreu em 2023, consolidando uma produção anual focada no segmento de cafés especiais, que oscila entre 20 e 30 sacas por ano. Por se tratar de um volume artesanal, a prioridade da propriedade é o controle de qualidade em todas as etapas de produção.

A etapa pós-colheita fica sob a responsabilidade de Ana Paula, que supervisiona o terreiro de secagem dos grãos. Ela realiza uma catação manual rigorosa para separar as unidades defeituosas e os frutos que permanecem na casca. "Colocamos o café no terreiro para secar e retiro todos os grãos que ainda estão em casca, pois o tempo de secagem precisa ser exato. Esse trabalho garante uma qualidade superior no resultado da bebida", afirmou a produtora.

A busca pela excelência na cafeicultura serrana permitiu que o casal expandisse suas vendas para o mercado externo. Atualmente, lotes do café sustentável capixaba são enviados regularmente para apreciadores em Portugal. "Mandamos o nosso café para Portugal, onde os consumidores provam a bebida e conseguem sentir o sabor das montanhas capixabas. É uma sensação gratificante ver o fruto do nosso trabalho chegar tão longe", relatou Ana Paula.

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