
Cafés especiais produzidos por mulheres chegam à China
Divulgação/Expocacer
Os cafés especiais do Cerrado Mineiro ganham um novo destino estratégico internacional com o envio de cargas exclusivas para o mercado da China. Uma parceria entre a empresa chinesa Donna Jannie e a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) viabilizou a exportação de microlotes — lotes pequenos de produção selecionada — cultivados por mulheres. Os produtos deixaram o Brasil no dia 17 de junho e têm previsão de chegada a Shanghai para o dia 30 de julho.
A iniciativa faz parte do programa Elas no Café, que reúne produtoras focadas em alta qualidade e sustentabilidade. A empresária chinesa Jian Xueya, fundadora da Donna Jannie, projeta uma relação comercial de longo prazo com a cooperativa. A intenção da companhia asiática é realizar importações mensais para abastecer o mercado jovem do país.
Valorização do trabalho feminino
Os cafés enviados ao exterior pertencem à categoria "fine cup", termo técnico que define grãos de qualidade superior e xícara limpa. A Donna Jannie comercializa os produtos por meio da marca Lady Coffees. As embalagens exibem os nomes das próprias produtoras mineiras como forma de dar visibilidade e valorizar o trabalho de campo.
A gerente de Cafés Especiais da Expocacer, Sandra Moraes, explica que a seleção atende a um pedido por bebidas mais delicadas. Os quatro lotes exportados foram produzidos pelas cafeicultoras Celia Regina Alves Nunes, Mariana Velloso Heitor, Sarah Mendes Nascimento e Vera de Oliveira Nunes Figueiredo. Cada lote apresenta um perfil sensorial único para agradar o paladar dos consumidores em Shanghai.
Atualmente, a Expocacer conta com 140 mulheres integradas ao programa Elas no Café. Esse grupo representa cerca de 20% do quadro total de associados da cooperativa. Juntas, as cafeicultoras participam da produção de 534.080 sacas de 60 quilos, cultivadas em uma área que soma 13.440 hectares.
Mudança de hábitos na China
A China desponta como uma das principais fronteiras para a expansão do consumo global de café. O hábito de ingerir a bebida cresce aceleradamente, impulsionado pela população jovem das grandes cidades. Em Shanghai, a demanda por café puro de alta qualidade já se consolidou na rotina urbana.
A empresária Jian Xueya relata que o consumidor chinês começou a compreender a diferença de preços do café especial. O público local aprendeu a valorizar a excelência do grão em vez de buscar apenas o menor custo. Assim que a carga desembarcar, a empresa realizará sessões de cupping — degustação técnica para avaliação sensorial — com os clientes.
O avanço comercial consolida a presença do produto nacional na Ásia. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a China importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos do produto brasileiro em 2025. O volume posicionou a nação asiática em décimo lugar no ranking dos principais destinos do café do Brasil.
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