
Substância presente na casca do camarão pode ir para a construção civil
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O que sobra após o preparo de um camarão costuma seguir direto para o lixo. Em Singapura, porém, pesquisadores estão testando uma rota diferente para esse resíduo: triturá-lo até formar uma pasta e aproveitar seus componentes na produção de três materiais com usos bastante distintos.
O processo foi desenvolvido por uma equipe da Universidade Tecnológica de Nanyang. A casca do camarão fornece matéria orgânica para a geração de hidrogênio e permite separar carbonato de cálcio, composto empregado em produtos como cimento e antiácidos. A etapa final utiliza bactérias para transformar o restante da biomassa em uma fonte de proteína que pode ser destinada à alimentação de animais criados em sistemas de aquicultura.
A produção do hidrogênio ocorre por uma adaptação da eletrólise. Em vez de empregar apenas água e gastar grande quantidade de energia para separar hidrogênio e oxigênio, o sistema utiliza os ácidos orgânicos presentes nos resíduos. Painéis solares alimentam o equipamento experimental instalado no campus da universidade. Segundo os pesquisadores, o aproveitamento do material que iria para aterros ajuda a reduzir o balanço de emissões do processo.
Um protótipo de laboratório chegou a produzir 14 litros de hidrogênio por hora. O resultado, entretanto, ainda está distante da eficiência necessária para competir com técnicas comerciais. Eletricidade, fornecimento constante de biomassa e capacidade de operar em grande escala permanecem entre os obstáculos para transformar a experiência em uma solução industrial.
A viabilidade econômica depende justamente da combinação dos três produtos. A venda de hidrogênio, proteína e carbonato de cálcio pode distribuir os custos e evitar que toda a operação dependa de uma única fonte de receita. A tecnologia não está limitada a crustáceos: papelão, vegetais, resíduos agrícolas e materiais das indústrias florestal, açucareira e cervejeira também poderiam alimentar sistemas semelhantes.
A casca de camarão funciona, portanto, como demonstração de uma ideia mais ampla.
Resíduos orgânicos podem deixar de representar apenas um problema de descarte e passar a integrar cadeias de energia, alimentação e construção. O avanço agora depende de provar que a mesma integração alcançada no laboratório pode funcionar com custo e impacto ambiental verificáveis fora dele.
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