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Cecafé pede aos EUA manutenção de isenção tarifária para café brasileiro

Entidade defende que produto é 'insubstituível' e alerta para aumento de custos a consumidores norte-americanos

VIVIANE TAGUCHI

07/07/2026 • 15:34 • Atualizado em 07/07/2026 • 15:34

Exportadores de café reforçam grupo de defesa anti-tarifas nos Estados Unidos

Exportadores de café reforçam grupo de defesa anti-tarifas nos Estados Unidos

Gilberto Marques/Secretaria da Agricultura do Estado de SP

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) solicitou oficialmente ao governo dos Estados Unidos a manutenção da isenção tarifária aplicada à maior parte dos produtos de café brasileiros. A entidade também defende a extensão do benefício ao café solúvel sem aromatizantes, argumentando que o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano, respondendo por mais de 30% das importações do setor.

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O pedido foi formalizado durante audiência pública da investigação comercial da Seção 301 contra o Brasil. Segundo o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, o café produzido em solo brasileiro possui características de qualidade e escala que o tornam "insubstituível" para a indústria dos Estados Unidos.

A entidade alerta que a eventual imposição de tarifas adicionais sobre o produto brasileiro não atingiria apenas os exportadores nacionais. O impacto seria sentido diretamente pela indústria norte-americana e, consequentemente, pelos consumidores finais, devido ao encarecimento da matéria-prima.

O principal pleito do conselho é a inclusão do café solúvel sem adição de aromatizantes (classificação HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos de tarifas da Seção 301. O produto é um insumo essencial para a fabricação de bebidas prontas para consumo (conhecidas como RTD) e cold brew, categorias que possuem forte demanda diária nos Estados Unidos, com consumo estimado de 53 milhões de adultos no país.

Eficiência e competitividade

O Cecafé ressalta que os Estados Unidos praticamente não produzem este tipo de café solúvel. Portanto, a manutenção da isenção é vista como um fator estratégico para a competitividade da indústria local frente a concorrentes estrangeiros. Sem o benefício, os fabricantes norte-americanos de maior valor agregado perderiam poder de concorrência.

Matos destacou ainda a robustez da cadeia produtiva brasileira, classificada como organizada, eficiente e transparente. Somente no ano de 2025, o Brasil exportou cerca de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para o mercado norte-americano, volume que representa uma média superior a 30% de todo o café solúvel importado pelos Estados Unidos nos últimos cinco anos.