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Abates de bovinos em Mato Grosso superam 3,65 milhões de cabeças em 6 meses

Estado registrou 3,65 milhões de cabeças abatidas, impulsionado pela forte demanda da China e pela transição do ciclo pecuário na região

Da redação
DA REDAÇÃO

07/07/2026 • 15:06 • Atualizado em 07/07/2026 • 15:06

Mato Grosso abateu 3,65 milhões de bovinos em 6 meses

Mato Grosso abateu 3,65 milhões de bovinos em 6 meses

Imea/MT

O estado de Mato Grosso atingiu um marco histórico na pecuária nacional ao registrar o maior volume de abates de bovinos para um primeiro semestre em toda a sua série histórica. Entre janeiro e junho de 2026, o estado totalizou 3,65 milhões de cabeças abatidas.

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Os dados, divulgados nesta terça-feira (7) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), apontam um crescimento de 3,58% em comparação ao mesmo período de 2025. Esse desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento na oferta de animais machos para o mercado.

O papel da China e a transição do ciclo pecuário

O resultado reflete o aquecimento das exportações brasileiras. No primeiro semestre deste ano, Mato Grosso embarcou 511,75 mil toneladas de carne bovina em equivalente carcaça (TEC), um avanço expressivo de 38,76% frente ao ano anterior. Em termos financeiros, a receita somou US$ 2,41 bilhões, alta de 63,82%.

A analista de bovinocultura de corte do Imea, Ana Eufrázio, explica que a China segue como o principal motor desse crescimento. "O recorde de abates foi impulsionado pelo aumento da demanda dos frigoríficos, especialmente da China, que representa mais de 50% das exportações de carne bovina de Mato Grosso", destaca.

Outro movimento importante identificado pelo instituto é a mudança no ciclo pecuário. Enquanto o abate de machos cresceu 13,05%, totalizando 1,81 milhão de cabeças, o abate de fêmeas recuou 4,26%. A analista pontua que a retenção de matrizes mostra que os produtores estão focados na recomposição do plantel, um sinal positivo para o futuro da produção.

Expectativas para o segundo semestre

Após o ritmo acelerado do início do ano, o mercado pecuarista agora observa sinais de acomodação. Segundo o Imea, o esgotamento da cota de exportação chinesa — que, quando excedida, passa a ter uma sobretaxa de 55% — já impacta os preços no mercado interno.

"Atualmente, o preço do boi tem diminuído porque a cota já foi atingida. A expectativa é de maior pressão sobre os preços durante o terceiro trimestre em razão da redução da demanda chinesa", afirma Ana Eufrázio.

Apesar dessa pressão momentânea, a oferta restrita de animais terminados deve evitar quedas bruscas na arroba do boi gordo. A perspectiva é de que o mercado retome o fôlego a partir da segunda quinzena de outubro, com o planejamento logístico voltado para a nova cota chinesa prevista para 2027.