Resumo
O aumento de preços dos produtos típicos da Páscoa, como peixes, azeites e chocolate, elevou o valor da cesta em 10%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), impactando diretamente o orçamento dos consumidores brasileiros em 2026.
O mercado de trabalho aquecido elevou a renda média em 3,8%, mas a inflação setorial confronta o poder de compra, com o setor varejista projetando crescimento de 10% nos gastos das famílias durante o período festivo, apesar dos valores mais altos.
O chocolate lidera o aumento com 26% de alta, superando a inflação geral de 3,81%, enquanto itens como bacalhau e azeite também encarecem o almoço de Páscoa, levando consumidores a buscar alternativas e trocar ovos por barras de chocolate devido ao alto custo.
Os consumidores brasileiros devem preparar o bolso para as celebrações da Páscoa em 2026. Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a cesta de produtos típicos para a data está 10% mais cara em comparação ao ano passado. O aumento é impulsionado pelo encarecimento de itens essenciais como peixes, azeites e, principalmente, o chocolate.
O cenário ocorre em um momento de mercado de trabalho aquecido, o que elevou a renda média da população em 3,8% no último período. No entanto, o ganho no poder de compra é confrontado pela inflação setorial. O setor varejista projeta que, mesmo com os preços elevados, os gastos das famílias durante o período festivo devem crescer cerca de 10% este ano.
Itens do almoço de Páscoa pesam no bolso
A pesquisa realizada pela Abras revela que a inflação média dos alimentos que compõem o tradicional almoço de domingo apresentou variações significativas. Entre os produtos que registraram maior pressão nos preços estão os ovos de galinha, batata, azeite, azeitonas, peixes e frutos do mar.
O bacalhau, um dos protagonistas da mesa do brasileiro nesta época, destaca-se com uma das altas mais expressivas. O custo médio do peixe subiu 7,6%, o que obriga o consumidor a pesquisar substitutos, como a pescada amarela, ou a reduzir o volume de compra para manter a tradição sem desequilibrar as finanças domésticas.
Chocolate sobe 26% e assusta consumidores
O item mais emblemático da data, o chocolate, apresenta um desempenho de preços "nada doce" para o consumidor. O levantamento da Abras aponta que o produto acumula uma alta de 26% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. O índice é muito superior à inflação geral do período, que ficou em 3,81%.
Curiosamente, o aumento do chocolate nas gôndolas ocorre em um cenário de queda no preço do cacau para o produtor rural, tendência observada desde o ano passado. No entanto, essa redução no valor da commodity na "porteira para dentro" não foi repassada ao consumidor final, devido aos custos industriais, de logística e marketing que compõem o produto finalizado.
Para lidar com os preços altos, muitos consumidores estão mudando hábitos consolidados. Relatos colhidos em supermercados indicam que o tradicional ovo de Páscoa tem perdido espaço para barras de chocolate ou outros presentes, já que o valor unitário dos ovos de maior gramatura chega a se equivaler ao preço de peças de vestuário, como calças jeans.
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