
Soja, carnes de frango e suína, celulose e algodão foram os produtos responsáveis
Wenderson Araujo/Trilux
A colheita da soja no Mato Grosso, principal estado produtor do grão no Brasil, já enfrenta obstáculos no início da safra devido à precariedade da infraestrutura de transporte. Imagens obtidas pelo AgroBand mostram filas de caminhões carregados e congestionamento nos acessos aos terminais de Miritituba, no Pará, um dos principais pontos de escoamento de grãos da região Centro-Oeste para o chamado arco-norte do país.
O problema da falta de pavimentação e das condições precárias das vias não é novo. Agricultores relatam que as dificuldades logísticas têm causado aumento significativo nos custos de frete. Nos últimos dias, o preço do transporte do Mato Grosso até o porto paraense subiu de R$ 260 para R$ 330 por tonelada, impactando diretamente o produtor rural.
Segundo relatos , "o impacto dessa trava logística é direto no preço dos produtos em duas semanas". Além disso, a elevação do frete acaba sendo repassada ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos. "Independente se o valor do seu produto está caro ou barato, ele é sujeito ao livre mercado, porém, tudo aquilo que serve a ele na produção agrícola acaba ficando mais caro e também desestimula investimentos e produção", afirma um dos produtores rurais.
A situação é agravada pelo atraso em obras de infraestrutura, como a Ferrogrão, um projeto ferroviário de mais de 900 km de extensão que visa ligar Sinop, em Mato Grosso, a Miritituba, no Pará. A iniciativa, que poderia baratear os custos de logística em até 40%, encontra-se paralisada devido a discussões judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a alteração de limites de áreas protegidas e a validade de estudos ambientais. "Uma solução definitiva para este problema seria o funcionamento por completo da Ferrogrão", pontua um interlocutor do setor.
Especialistas alertam que, sem melhorias no transporte, a cadeia produtiva é prejudicada em toda sua extensão, desde o agricultor até a indústria de rações, que utiliza soja e milho para alimentar frangos, bovinos e suínos. "Esse soja e milho que vira ração animal para alimentar frango, bovino e suíno, chegaria mais barato à indústria e transformaria o alimento no consumidor final mais barato. Se tivéssemos esse acesso à ferrovia e a uma rodovia mais digna?", questiona.
Enquanto isso, produtores seguem enfrentando incertezas e aumento de custos, o que pode levar à redução da oferta e ao encarecimento dos alimentos no mercado nacional.
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