A colheita do milho entrou na reta final nas principais regiões produtoras do Brasil, registrando rendimentos abaixo das expectativas em decorrência da seca e de estresses climáticos. O cenário atinge estados como Goiás, Minas Gerais e Piauí, que enfrentaram escassez de chuva ao longo do ciclo e atrasos nos trabalhos de campo.
No Sudoeste de Goiás, agricultores relatam que os trabalhos nas lavouras sofreram um atraso superior a 20 dias. Em comparação com o ciclo anterior, considerado muito favorável ao setor, a produtividade nas propriedades rurais teve uma queda que varia entre 18% e 20%.
Além da estiagem, a incidência de pragas e as dificuldades no controle de plantas daninhas agravaram a situação das lavouras. Ventos fortes e altas temperaturas, somados ao acúmulo de palha no solo, aumentaram os riscos de incêndios no campo. A adubação reforçada mitigou parte dos danos, mas não impediu a perda de rendimento.
Estimativas de produção nacional
Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho deve somar 141,7 milhões de toneladas. O número representa um crescimento tímido de 0,4% em relação à safra anterior.
Enquanto Mato Grosso foi favorecido pelas condições meteorológicas, regiões de Goiás, Minas Gerais e Piauí sofreram com a falta de chuvas em etapas cruciais. O estresse hídrico nesses locais pode trazer reflexos negativos para a produtividade do ciclo 2026/2027.
Por sua vez, a consultoria Stonex calcula a safra nacional em 141,5 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026. O volume abrange a safrinha — nome dado à segunda safra do cereal, cultivada logo após a colheita da soja —, estimada em 110,7 milhões de toneladas.
Para o analista de inteligência de mercado da Stonex, Rafael Bluskoski, o volume projetado é robusto e suficiente para atender à demanda. Contudo, ele avalia que o produtor enfrentará um ambiente desafiador, influenciado por custos elevados e incertezas climáticas.
Críticas ao Plano Safra e custos de produção
Apesar de o Governo Federal ter disponibilizado mais de 600 bilhões de reais no Plano Safra, representantes do setor apontam que o montante é insuficiente. A redução das verbas com taxas de juros subsidiadas gerou fortes críticas de entidades agrícolas.
O diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) afirmou que os produtores esperavam juros mais baixos e maior volume de recursos para custeio, seguros e renegociações. Na visão do dirigente, os valores liberados não trazem o alívio necessário ao campo.
A ocorrência do fenômeno climático El Niño amplia as incertezas, especialmente devido à alta nos preços de insumos vitais, como combustíveis e fertilizantes. Diante disso, especialistas reforçam que áreas semeadas por último tendem a produzir menos.
Para os próximos meses, a atenção do agricultor deve se concentrar no planejamento criterioso da safrinha. A nutrição adequada do solo e a escolha do momento certo para o plantio serão estratégias decisivas para atenuar eventuais perdas no campo.
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