
Consumo de carne de ovinos ainda é tímido no Brasil, apontam estatísticas
Divulgação/CNA
Resumo
O consumo de carne ovina no Brasil é baixo e restrito a nichos regionais, com média anual de apenas 1 kg por habitante, em contraste com os 36 kg de carne bovina, e cerca de 12% dos brasileiros nunca provaram carne de ovelha.
A cadeia produtiva enfrenta desafios como informalidade no abate, falta de padronização, logística deficiente e dependência de importações, sendo que em 2023 o país importou mais de 5,7 milhões de kg de carne ovina, principalmente do Uruguai, enquanto exportou apenas 277 mil kg.
O setor sofre com oferta sazonal, escassez de frigoríficos adequados, assistência técnica insuficiente e genética limitada, e a superação desses obstáculos é vista como fundamental para ampliar o consumo e garantir qualidade e regularidade da carne ovina no mercado nacional.
O consumo de carne ovina no Brasil é classificado como baixo e ocasional, limitando-se historicamente a nichos regionais, como os churrascos festivos no Sul e a culinária do Nordeste. Enquanto a carne bovina registra um consumo anual per capita de cerca de 36 kg por habitante, a carne de ovinos (o rebanho de ovelhas e carneiros) tem uma estimativa de consumo de apenas 1 kg ao ano por brasileiro.
A baixa adesão do consumidor é um reflexo direto da desorganização da cadeia produtiva, que enfrenta problemas críticos como a informalidade no abate, a falta de padronização da oferta e a logística inadequada. No entanto, o setor vem se organizando nos últimos anos.
Segundo dados da Embrapa, 12% dos brasileiros (aproximadamente 25 milhões de pessoas) declaram nunca ter consumido carne ovina, e cerca de 62% a consomem apenas ocasionalmente. Para suprir a demanda interna, o país recorre majoritariamente às importações, principalmente do Uruguai.
O Brasil depende de importação para a oferta de carne ovina
A balança comercial de 2023 da ovinocultura brasileira evidencia a dependência do mercado externo. O Brasil importou 5.726.082 kg de carne e pele de ovinos, o que representou um aumento de 13,15% em relação ao ano anterior. Em contraste, as exportações do país no mesmo período somaram apenas 277.792 kg.
A cotação de referência da carcaça ovina (a peça inteira do animal após o abate) tem um valor médio de R$ 16,00/kg no Sudeste e R$ 14,08/kg no Sul, conforme dados de outubro de 2024. Este valor, no entanto, é o preço de referência no atacado e varia consideravelmente com a sazonalidade e a informalidade do mercado.
Desafios estruturais da cadeia de produção
Especialistas e pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Embrapa apontam que os obstáculos para o crescimento do setor ovino se concentram em quatro áreas principais: mercado, produção, gestão e logística.
Informalidade no Abate: Uma grande parcela da carne ovina que chega aos centros urbanos é oriunda de abates informais, sem a devida inspeção sanitária, o que impacta a segurança e a percepção de qualidade do produto.
Sazonalidade e Padronização: A oferta da carne é inconsistente e sazonal, e o rebanho existente não garante a qualidade e padronização exigidas para fidelizar o consumidor. A falta de padrão na carne, que é o produto final, dificulta que os frigoríficos a comercializem em grandes redes e, consequentemente, a insere apenas em canais de nicho.
Logística e assistência técnica
Logística Inadequada: A estrutura de transporte não é otimizada, e há escassez de frigoríficos adequados para a escala de pequenos abates de ovinos, o que contribui para o aumento da informalidade.
Assistência e Genética: O setor também sofre com a descontinuidade da assistência técnica aos produtores e a falta de incentivo ao melhoramento genético dos rebanhos, sendo os reprodutores de alta qualidade, muitas vezes, caros demais para o pequeno produtor.
A superação desses desafios, com foco em formalização, investimento em genética e melhoria da logística, é considerada essencial para que a carne ovina se torne uma opção de consumo mais frequente e padronizada no prato do brasileiro.
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