
Pequenos criadores de gado leiteiro são o grupo mais beneficiado
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O volume de crédito rural digital contratado por pequenos e médios produtores na Região Sul do Brasil registrou um crescimento de 403% entre 2023 e 2025. O levantamento da agfintech AgroForte aponta que a busca por recursos via plataforma movimentou R$ 177,1 milhões no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, impulsionada pela agilidade na liberação do dinheiro e pela redução da burocracia bancária.
A modalidade atende principalmente pecuaristas de leite, suinocultores e avicultores integrados a agroindústrias e cooperativas. O sistema permite o acesso a linhas de capital de giro — dinheiro voltado para custear as despesas do dia a dia — e investimentos na propriedade, com liberação do recurso em até 48 horas.
Uma das principais características do modelo é a forma de pagamento: o valor contratado é descontado mensalmente de forma direta da receita que o produtor recebe pela entrega da sua produção agrícola ou pecuária.
No acumulado histórico das operações, o estado do Paraná lidera o volume de recursos movimentados na região, com R$ 86,3 milhões liberados. O Rio Grande do Sul aparece na sequência, com R$ 53,9 milhões, enquanto Santa Catarina soma R$ 36,9 milhões. Ao todo, a plataforma já realizou mais de 2 mil operações financeiras nos três estados.
A evolução anual mostra uma aceleração constante na adesão dos agricultores e criadores sulistas às ferramentas digitais. Em 2023, o montante originado pela empresa na região foi de R$ 15,2 milhões. No ano seguinte, o valor saltou para R$ 43,5 milhões, representando uma alta de 185%. Já em 2025, a movimentação atingiu o recorde de R$ 76,6 milhões.
Para o ano de 2026, os dados do primeiro semestre indicam a manutenção da tendência de alta. Entre janeiro e junho, a empresa contabilizou a liberação de R$ 30,9 milhões no Sul. Por concentrar a preparação para o ciclo agrícola, o segundo semestre costuma apresentar maior demanda por caixa, o que pode fazer o volume anual superar R$ 100 milhões na região.
O avanço do crédito digital sinaliza uma transformação na gestão financeira das pequenas e médias propriedades rurais. Historicamente, o acesso a financiamentos tradicionais enfrentava entraves burocráticos e prazos extensos de análise, o que dificultava o planejamento do produtor.
Felipe d'Ávila, CEO e cofundador da AgroForte, destaca que o pequeno agricultor sempre demonstrou vocação para adotar inovações tecnológicas no manejo do campo, mas encontrava limitações na captação de recursos. Para o executivo, a digitalização dos serviços financeiros atua como um mecanismo de inclusão, permitindo superar barreiras geográficas.
Além de atender o produtor, o formato beneficia a cadeia produtiva como um todo. Segundo d'Ávila, a oferta de crédito ágil fortalece as agroindústrias e cooperativas parceiras, que garantem a fidelização dos seus fornecedores e mantêm a estabilidade no fornecimento de matéria-prima, com maior volume e qualidade.
Sob o ponto de vista da gestão do negócio, a velocidade no recebimento do dinheiro influencia diretamente os custos de produção. Quando o recurso é liberado rapidamente, o produtor ganha poder de negociação no mercado.
Gustavo Peloso, CGO da AgroForte, explica que a expansão expressiva do volume de crédito entre 2023 e 2025 reflete a busca por eficiência na alocação de capital. Conforme o especialista, ao receber o dinheiro na conta em até dois dias, o agricultor consegue travar o preço de insumos vitais — como ração, fertilizantes e sementes — no momento exato de oportunidade comercial.
Peloso ressalta que essa agilidade evita que o produtor perca prazos do calendário agrícola ou pague mais caro por insumos devido a oscilações de preço. A injetada de liquidez no momento de maior necessidade de caixa atua para proteger a rentabilidade e movimentar a economia dos municípios rurais do Sul do país.
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