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Pecuária de precisão deve movimentar R$ 67 bilhões até 2030

Tecnologias com sensores, automação e dados transformam fazendas de leite em indústrias conectadas e reduzem perdas no campo

Da redação
DA REDAÇÃO

05/08/2026 • 06:00 • Atualizado em 05/08/2026 • 17:08

Tecnologias de ponta garantem segurança na criação e economia para o criador

Tecnologias de ponta garantem segurança na criação e economia para o criador

Trilux/CNA

O mercado global de pecuária de precisão deve atingir US$ 12,12 bilhões até 2030, valor equivalente a cerca de R$ 67 bilhões. A estimativa, projetada pela consultoria MarketsandMarkets, reflete o avanço constante do uso de sensores, sistemas de automação e análise de dados nas propriedades rurais brasileiras.

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Essa transformação no setor produtivo ganhou destaque durante a 52ª Expoleite, realizada em Arapoti, no Paraná. Durante a feira, soluções de infraestrutura elétrica e automação dividiram o espaço de exposição com máquinas agrícolas e equipamentos modernos voltados para a cadeia leiteira.

A pecuária de precisão consiste na aplicação de tecnologias digitais para monitorar, medir e gerenciar o manejo do rebanho de forma individualizada ou em grupo. O método busca elevar o rendimento da produção de leite e otimizar a gestão das propriedades rurais.

Segundo Marcos Stoppa, diretor da Reymaster Materiais Elétricos, a fazenda moderna aproxima-se do conceito de uma indústria conectada. Para o executivo, o investimento em infraestrutura técnica é decisivo para evitar falhas graves na rotina do campo. "Sensores acompanham a temperatura dos animais, sistemas monitoram equipamentos em tempo real, softwares antecipam falhas e etiquetas inteligentes organizam milhares de ativos espalhados pela propriedade”, avalia Stoppa.

O entendimento do produtor rural a respeito do papel da inovação mudou nos últimos anos. A tecnologia deixou de ser encarada apenas como um recurso para automatizar tarefas simples e passou a integrar o planejamento financeiro do negócio.

Para Marcus, o emprego de ferramentas adequadas reduz falhas operacionais e evita prejuízos na gestão financeira diária. Durante a feira no Paraná, o especialista destacou a procura por rotuladoras industriais e etiquetas laminadas. Os itens são aplicados na identificação de painéis elétricos, motores e máquinas agrícolas. Embora pareçam intervenções simples, a organização das estruturas facilita os procedimentos de manutenção técnica no dia a dia.

"Quando um equipamento está corretamente identificado, a manutenção é mais rápida, os erros diminuem e toda a operação ganha eficiência. Em plantas industriais e cooperativas, isso significa menos tempo parado – que pode ter um alto custo para a operação – e mais produtividade”, explica Marcus.

Além do acompanhamento do maquinário, o controle contínuo das condições ambientais onde o rebanho permanece influencia diretamente a capacidade produtiva da pecuária de leite. Atualmente, sensores avançados medem variáveis como temperatura, nível de ventilação e luminosidade nos galpões de manejo. A medição contínua garante o conforto térmico dos animais, fator determinante para manter os níveis de extração de leite.

"Cada vez mais, o produtor percebe que pequenos desvios ambientais podem comprometer toda a produtividade do rebanho. A tecnologia permite enxergar esses fatores antes que eles se transformem em prejuízo, tornando as decisões muito mais rápidas e precisas", pontua Rafael Martins de Oliveira, promotor de iluminação técnica de edificações da Reymaster.

A digitalização conecta dispositivos de automação, iluminação e plataformas de gestão em uma única central de dados. O resultado é uma propriedade gerida com base em indicadores em tempo real.

Essa mudança estrutural altera também o perfil profissional exigido pela cadeia leiteira. Durante a Expoleite, a busca por soluções tecnológicas partiu principalmente de engenheiros, equipes de Planejamento e Controle da Manutenção (PCM) e especialistas em tecnologia da informação.

Conforme destaca Stoppa, grande parte dos ganhos de produtividade decorre de investimentos na infraestrutura básica da fazenda, que muitas vezes não fica visível à primeira vista. "Existe uma percepção de que inovação no campo significa apenas máquinas maiores ou equipamentos mais sofisticados. Dessa forma, boa parte dos ganhos acontece na infraestrutura que ninguém vê e, assim, uma identificação correta, um sensor instalado no lugar certo ou um sistema de automação bem projetado podem evitar horas de parada, reduzir custos de manutenção e aumentar significativamente a disponibilidade da operação. É esse tipo de tecnologia que está redefinindo a competitividade da pecuária leiteira”, conclui o diretor.