O cultivo de mirtilo ganha espaço no Distrito Federal impulsionado pela adoção de tecnologias de irrigação e pelo suporte do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-DF). Durante um dia de campo promovido pela instituição no Cerrado, agricultores locais conheceram técnicas eficientes de manejo para elevar a produtividade em pequenas propriedades rurais.
Entre os casos apresentados no evento está o dos produtores Bruno e Najila, que investiram na lavoura de mirtilo há cerca de um ano e meio. A aposta na fruta, também conhecida como blueberry, trouxe resultados positivos em um curto período.
A plantação do casal ocupa meio hectare e conta com 5 mil plantas. No último ciclo de colheita, cada pé rendeu em média 400 gramas da fruta, marca considerada elevada para a extensão da área cultivada.
Segundo o produtor Bruno, a aceitação do mercado consumidor tem sido expressiva. Ele destaca que a cultura do mirtilo permite agregar valor à produção mesmo em propriedades de menor porte, garantindo retorno financeiro atrativo.
Um dos fatores centrais para o desempenho da lavoura é o uso da irrigação localizada por gotejamento. A técnica consiste na aplicação de água e nutrientes diretamente nas raízes das plantas, otimizando o consumo dos recursos hídricos.
Na região Centro-Oeste, o clima apresenta duas fases bem definidas ao longo do ano: a quadra chuvosa e a quadra seca. No período de estiagem, a irrigação atua de forma complementar para suprir a necessidade de água das lavouras.
O sistema adota o cultivo semi-hidropônico, no qual o mirtilo é plantado em substrato no lugar do solo convencional. Como esse material não retém umidade e nutrientes por muito tempo, a fertirrigação — processo que combina água e adubo — garante o suprimento diário para o desenvolvimento da planta.
O avanço da fruticultura na região conta com o acompanhamento direto do Senar-DF. A entidade oferece assistência técnica e gerencial gratuita aos produtores, orientando desde a fase de implantação do pomar até o manejo diário no campo.
Com o suporte técnico, os agricultores conseguem aprimorar a gestão da propriedade, reduzir custos operacionais, melhorar a qualidade das frutas e aumentar a margem de rentabilidade.
Para multiplicar o conhecimento, o produtor abriu as portas de sua chácara a outros agricultores da região durante os encontros promovidos pelo Senar-DF nos meses de julho e agosto.
Esses dias de campo abrangem diversas cadeias produtivas e buscam integrar os produtores rurais. As reuniões oferecem espaço para a troca de experiências, expansão da rede de contatos e identificação de novas oportunidades de negócios no setor agropecuário.
A expansão da fruticultura no Distrito Federal demonstra o potencial do Cerrado para a diversificação de culturas. Com orientação adequada e tecnologia acessível, pequenas áreas rurais consolidam-se como negócios viáveis e sustentáveis.
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