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Finados: clima e escassez de mão-de-obra desafiam a produção de flores

Finados representa 3% do faturamento anual do setor de flores e plantas ornamentais

VIVIANE TAGUCHI

27/10/2025 • 12:01 • Atualizado em 27/10/2025 • 12:01

Crisântemos estão sendo produzidos para o Dia de Finados

Crisântemos estão sendo produzidos para o Dia de Finados

Veiling Coop

Resumo

Dia de Finados é marcado por grande movimentação no setor de flores, com expectativa de aumento de 7% nas vendas em relação ao ano anterior. Produtores como os do Ceaflor, maior mercado atacadista do Brasil, já comercializaram boa parte de suas produções de flores típicas como crisântemos e kalanchoes.

Desafios de produção enfrentados incluem altos custos de insumos, escassez de mão-de-obra e impactos das mudanças climáticas. Produtores como Dirceu Hasimoto precisaram reduzir a produção devido a esses fatores, apesar da demanda garantida para o período.

Adaptações e estratégias são adotadas por produtores para lidar com as variáveis do mercado. Caio Shiroto, por exemplo, aumentou sua produção em resposta ao crescimento da demanda, enquanto investe em tecnologias para mitigar o impacto das variações climáticas. Antônio Carlos Rodrigues, presidente do Ceaflor, destaca a dedicação dos produtores em diversificar e manter a qualidade do fornecimento para esta data importante.

O Dia de Finados, celebrado no dia 2 de novembro, é uma tradição do Brasil e uma das datas mais importantes para o setor de flores e plantas ornamentais, responsável por 3% do faturamento anual do segmento. Neste ano, há a expectativa do setor aumentar as vendas de flores em 7% em relação ao ano passado, conforme o Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura).

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No Ceaflor, maior mercado atacadista do segmento no Brasil, os produtores especializados em variedades típicas da data, como crisântemos, kalanchoes e kalandivas, se anteciparam com encomendas e já comercializaram grande parte da produção. A procura por outras flores envasadas também vem crescendo,mas os altos custos de produção, puxado pelos insumos importados, escassez de mão-de-obra e a produtividade, afetada por mudanças climáticas, estão encarecendo o preço das flores.

O produtor Dirceu Hasimoto, de Atibaia (SP), conta que reduziu em 20% sua produção de kalanchoes e kalandivas em relação a 2024. A decisão foi motivada pelo aumento dos custos e pela dificuldade de encontrar trabalhadores, embora toda a produção já esteja vendida. “O custo de produção subiu muito e não conseguimos repassar. Por isso, optamos por atender apenas clientes que garantiram a compra. Em Finados, vendemos cerca de cinco vezes mais do que em uma semana comum, mas não temos equipe suficiente para atender toda essa demanda”, explica Hasimoto.

Mesmo diante dos desafios, há quem aposte na expansão. O engenheiro agrônomo e produtor rural Caio Shiroto aumentou em 20% a produção de crisântemos no pote 15 e da variedade Bola Belga. “Percebemos um aumento na demanda e decidimos investir. Como Finados cai em um domingo este ano, há mais chances de as pessoas irem aos cemitérios prestar homenagens”, comenta.

Caio destaca, no entanto, que produzir crisântemos para Finados exige atenção especial às variações climáticas. Mesmo com o plantio realizado na mesma época, algumas variedades florescem antes do previsto, enquanto outras atrasam. Para lidar com isso, ele tem investido em tecnologias que ajudam a mitigar os efeitos do clima.

Outro ponto crítico de se produzir para datas especiais, segundo o produtor, é a escassez de mão de obra e a necessidade de reservar áreas específicas para essa produção sazonal. “A falta de trabalhadores sobrecarrega as atividades semanais, e a estufa fica ociosa em parte do ano, o que eleva os custos. Hoje, o produtor precisa fazer contas e avaliar o que é mais viável para seu modelo de negócio”, conclui.

O presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, reconhece o empenho dos produtores em se reinventar e abastecer o mercado com variedade e qualidade. “Além dos tradicionais crisântemos, outras flores envasadas passaram a integrar o portfólio da data, como antúrios e até algumas espécies de plantas verdes. Finados continua sendo uma data relevante para o setor e é trabalhada com dedicação por nossos produtores”, afirma.