
Brasil registrou caso da doença em 2024 no Rio Grande do Sul
Lucas Sherer Cardoso/Embrapa
A doença de Newcastle (DNC) é uma infecção viral grave e altamente contagiosa que atinge aves domésticas e silvestres, sendo causada por variantes do Paramilxovírus Aviário tipo 1 (APMV-1). No Brasil, a enfermidade é classificada como de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), devido ao seu potencial de gerar perdas econômicas severas na produção de carne e ovos.
Embora o foco principal de preocupação seja a saúde animal, a DNC é considerada uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida de animais para seres humanos. No entanto, especialistas reforçam que a manifestação em pessoas é geralmente leve e não representa um risco grave à saúde pública.
Sintomas e transmissão em humanos
Em seres humanos, a infecção ocorre prioritariamente pelo contato direto com aves infectadas ou suas secreções. O principal sintoma registrado é a conjuntivite transitória, que pode ser unilateral ou bilateral.
Geralmente, os sinais clínicos aparecem em até 24 horas após a exposição dos olhos ao vírus. O paciente pode apresentar lacrimejamento excessivo e edema (inchaço) nas pálpebras. Embora raros, existem relatos de sintomas semelhantes aos da gripe, como febre e mal-estar, mas a literatura técnica oficial foca quase exclusivamente na manifestação ocular.
Segurança no consumo de aves e ovos
Uma das principais dúvidas dos consumidores é sobre a segurança alimentar durante registros da doença. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) assegura que o consumo de produtos avícolas, como carne e ovos, permanece seguro para a população.
A transmissão da doença de Newcastle para humanos não ocorre pelo consumo de alimentos cozidos ou processados. A recomendação é que os consumidores busquem produtos que possuam o selo do Serviço Veterinário Oficial (SVO), garantindo que passaram por inspeção sanitária rigorosa.
Impacto econômico e cenário no Brasil
Para o setor agropecuário, a doença de Newcastle é uma ameaça crítica devido à alta taxa de mortalidade das aves e à queda imediata na produtividade das granjas. Em julho de 2024, o Brasil registrou um foco isolado da doença no município de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul.
Na ocasião, o governo federal declarou estado de emergência zoossanitária para conter o vírus. Após ações intensas de vigilância e contenção que confirmaram a ausência de novos casos, a emergência foi encerrada em agosto de 2024, reafirmando o status sanitário do Brasil como área livre da doença perante o mercado internacional.
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