A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas para o Clima, projeta a formação de um novo fenômeno El Niño a partir de maio. A estimativa aponta para um impacto direto nos padrões de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil. Segundo a entidade, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial apresentam elevação rápida após um período de neutralidade climática no início de 2024.
Os modelos de monitoramento indicam uma mudança clara nas condições oceânicas. A expectativa é que o El Niño se estabeleça entre os meses de maio e julho, apresentando intensificação ao longo do segundo semestre.
Wilfran Moufouma Okia, chefe de previsão climática da OMM, destaca que há uma forte convergência nos dados atuais. "Após um período de condições neutras, os modelos climáticos estão agora fortemente alinhados, e há grande confiança no início do El Niño", afirmou Okia em nota oficial.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial central e oriental por períodos prolongados. Esse fenômeno altera a circulação atmosférica global, modificando o regime de chuvas e secas, além de elevar as temperaturas médias em diferentes partes do mundo.
O impacto esperado para o Brasil
No cenário brasileiro, o El Niño costuma gerar efeitos distintos e opostos dependendo da localidade. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçam que o fenômeno favorece o aumento de chuvas na região Sul do país.
Por outro lado, o fenômeno eleva o risco de secas severas na faixa norte das regiões Norte e Nordeste. Especialistas ponderam que a intensidade total do impacto dependerá da interação com outros fatores climáticos e da força que o evento atingirá nos próximos meses.
Para o trimestre que compreende maio a julho, a OMM prevê temperaturas acima da média histórica em quase toda a superfície terrestre. Além da América do Sul, regiões como Austrália, Indonésia e o sul da Ásia devem enfrentar períodos de tempo mais seco.
Previsibilidade e cautela técnica
Apesar do alinhamento dos modelos, a OMM ressalta que previsões feitas nesta época do ano possuem uma margem de incerteza. O órgão refere-se à "barreira de previsibilidade da primavera" no Hemisfério Norte, que limita projeções extremamente precisas antes do encerramento de abril.
A entidade também esclareceu que não utiliza o termo "super El Niño", justificando que a expressão não compõe uma classificação técnica padronizada. Outro ponto destacado é a ausência de evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência do fenômeno, embora oceanos mais quentes possam amplificar efeitos associados, como o calor intenso. Uma nova atualização sobre o monitoramento do Pacífico será divulgada pela agência no final de maio.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:
