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Embrapa estuda como incentivar consumo de insetos e reduzir o preconceito

Pesquisa revela que fotos atraentes e foco em saúde ajudam brasileiros a aceitarem biscoitos feitos com farinha de insetos

VIVIANE TAGUCHI

27/01/2026 • 14:07 • Atualizado em 27/01/2026 • 14:07

Insetos são fontes de proteína saudável

Insetos são fontes de proteína saudável

Gerada por IA

Resumo

Estudo da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) aponta neofobia alimentar como barreira para consumo de alimentos à base de insetos, destacando o potencial dos grilos e larvas como fonte de proteína barata e sustentável.

Pesquisa revela que estratégias como uso de imagens atrativas e informações sobre benefícios à saúde e sustentabilidade aumentam a aceitação de biscoitos e snacks de insetos, especialmente entre consumidores preocupados com bem-estar e meio ambiente.

Ministério da Agricultura e Pecuária trabalha na criação de legislação específica para produção e consumo de insetos, com apoio dos dados do estudo, visando garantir higiene, segurança alimentar e incentivar campanhas educativas para facilitar a adoção desses produtos no Brasil.

A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) divulgou um estudo que pode mudar a forma como o brasileiro encara o prato. A pesquisa foca na "neofobia alimentar" — que nada mais é do que o medo ou a rejeição a comer coisas desconhecidas. O alvo da vez são os alimentos à base de insetos, como grilos e larvas, que surgem como uma alternativa de proteína barata e sustentável.

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De acordo com o levantamento, a estratégia para vencer o "nojo" inicial passa pelo olhar e pela informação. O estudo aponta que combinar imagens bonitas dos produtos com mensagens sobre benefícios para a saúde aumenta muito a vontade de comprar. A ideia é mostrar que o produto é seguro e nutritivo antes mesmo do consumidor provar.

Biscoito de inseto já é tendência lá fora

Se você acha estranho comer insetos, saiba que essa já é uma realidade em muitos países. A escolha da Embrapa por testar biscoitos e snacks tem um motivo claro: cerca de 51% dos produtos feitos com insetos no mundo hoje são petiscos. No Brasil, como o consumo de biscoito é muito alto, esse seria o caminho mais fácil para a novidade entrar na rotina.

A pesquisadora da Embrapa, Rosires Deliza, explica que a familiaridade é o segredo. "A escolha por biscoitos levou em consideração que esse tipo de alimento é familiar no Brasil. Isso ajuda na aceitação e na disposição para comprar", afirma. Para os especialistas, quando o inseto vira uma farinha misturada a uma receita conhecida, a resistência cai.

A pesquisa também separou os consumidores por interesses. Aqueles que buscam uma vida mais saudável ou se preocupam com o planeta foram os que mais aceitaram a ideia. Segundo Karen Romano, doutoranda da UFRRJ que participou do estudo, falar de sustentabilidade ajuda a superar a estranheza da novidade.

"Os consumidores que receberam informações sobre saúde não só quiseram comprar mais os biscoitos, como também os acharam mais sustentáveis", diz Romano. Isso mostra que o marketing desses produtos deve focar no bem que eles fazem para o corpo e para a natureza, tratando o ingrediente apenas como uma fonte de proteína eficiente.

Brasil prepara leis para o setor

Atualmente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha para criar regras claras sobre o consumo de insetos no Brasil. O estudo da Embrapa vai ajudar a embasar essas leis, garantindo que a produção seja feita com total higiene. É importante destacar: os insetos usados são criados em cativeiro, com controle rigoroso, e não são os mesmos que encontramos na natureza.

Além de ajudar na legislação, os dados servem para empresas de marketing e fábricas de alimentos. A ideia é criar campanhas educativas e sessões de degustação para que o público se acostume com a ideia. Com o aumento da população mundial, os insetos aparecem como uma solução real para garantir comida na mesa de todos de forma ecológica.

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