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Estudante paranaense cria copo térmico e biodegradável com casca de pinhão

Começou a temporada de pinhão na região sul do país

Por Redação
REDAÇÃO

02/05/2025 • 11:02 • Atualizado em 02/05/2025 • 11:02

Estudante cria copo biodegradável de casca de pinhão

Estudante cria copo biodegradável de casca de pinhão

Divulgação/Col Bom Jesus

Uma estudante paranaense aproveitou a época do pinhão, uma das sementes mais consumidas na região sul do Brasil nos meses de inverno, para criar um copo totalmente biodegradável feito com a casca do produto. Maria Clara Badin Salvalaggio, do Colégio Bom Jesus Divina Providência, de Curitiba (PR), criou o produto durante uma ula de iniciação científica.

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“Eu sempre via as pessoas tomando água ou café nos copos de plástico e nunca gostei disso, porque sei que esses materiais demoram muito tempo para se decompor na natureza. O copinho de pinhão vai levar no máximo cinco semanas para se degradar. Já o plástico leva anos”, diz a estudante. O copo tem a capacidade de acondicionar tanto líquidos frios como quentes. E o melhor: não impacta negativamente o meio ambiente se descartado, ou seja: o material é biodegradável.

Maria Clara conta que escolheu trabalhar com o pinhão não só porque a semente é abundante nesta época, mas também porque queria auxiliar na preservação do meio ambiente. Para fazer a mistura que compõe o copinho, Maria Clara usou glicerina, gelatina, ágar-ágar, água, vinagre e algumas sementes, como por exemplo, de salsa e de alecrim. O vinagre, como explica a estudante, funciona na receita como um conservante. Tudo é levado ao fogo e depois colocado num molde de porcelana disponível no laboratório do colégio.

A professora do Colégio Bom Jesus e orientadora do projeto de Maria Clara, Daniele Cecilia Ulsom de Araújo Checo, explica que as fibras do pinhão têm propriedades de isolamento térmico, o que contribuiu para manter o café ou chá quentinhos, por exemplo, e, quando tratadas do modo correto, não apresentam odor, o que faz com que o material utilizado no copo não interfira no sabor dos líquidos. Ela conta também que, antes de chegar ao copinho ideal, a aluna fez vários testes, inclusive usando outras sementes e sem a adição do vinagre. “Ela também fez uma pesquisa na própria escola sobre o uso de copos de plástico, e ainda pesquisou sobre o uso de outros materiais, como a casca de banana, por exemplo”, conta a professora.

Durante o projeto, Maria Clara estudou propriedades do plástico, pesquisou sobre a decomposição de materiais na natureza e sobre a resistência de determinadas substâncias ao calor, já que os copos também serviriam para colocar líquidos quentes. Agora, a estudante planeja otimizar o desenvolvimento do bioplástico e associá-lo a outras sementes, ampliando as estratégias para aplicação do produto no processo de reflorestamento e cobertura verde.

Iniciação Científica

O trabalho da estudante ganhou o terceiro lugar na categoria “Terra” na Feira de Iniciação Científica do Ensino Fundamental do Colégio Bom Jesus, em 2024. Agora, Maria Clara está inscrevendo o projeto na Feira Brasileira de Iniciação Científica que será realizada entre os meses de abril e setembro de 2025, em Jaraguá do Sul (SC). A estudante deve inscrever o trabalho também em outras feiras nacionais.

A Iniciação Científica traz para a Educação Básica no Colégio Bom Jesus um pouco do ambiente acadêmico, criando bases para quando os alunos chegarem à faculdade. É um dos caminhos para ampliar as perspectivas de um ensino interdisciplinar, proposto pelo Colégio Bom Jesus. Combinando a formação pedagógica e o estímulo ao potencial criativo, o Colégio incentiva a pesquisa científica desde as séries iniciais até o Ensino Médio, preparando os alunos para a pesquisa, a experimentação, a tabulação de dados, a participação em feiras nacionais e no exterior.

As feiras científicas do Bom Jesus permitem a exposição e avaliação dessas pesquisas que inserem e destacam os alunos no mundo do saber científico. Muitos deles têm projetos com repercussão nacional e até com empresas interessadas em seus protótipos. “A iniciação científica é uma oportunidade para as crianças e os adolescentes ingressarem no fantástico mundo da pesquisa e anteciparem um processo que certamente vão vivenciar na universidade”, afirma o coordenador de Geografia e da Iniciação Científica do Colégio Bom Jesus, Adalberto Scortegagna.