A produção de hortaliças no Distrito Federal vem consolidando modelos de gestão que unem o conhecimento tradicional à assistência técnica especializada. Um exemplo desse cenário ocorre em Braslândia, onde uma propriedade familiar alcançou a marca de 300 caixas de chuchu colhidas semanalmente, após o produtor abandonar a formação acadêmica em Matemática para se dedicar integralmente ao setor primário.dministrativa.
No início dos anos 90, Ricardo era estudante de Matemática na Universidade de Brasília (UnB), mas as constantes greves da instituição acabaram mudando o rumo de sua vida profissional. Durante as paralisações, ele retornava para a lida no campo, mas a dificuldade em conciliar o curso de período integral com os cuidados exigidos pela terra gerava prejuízos financeiros constantes.
Diante do cenário de incertezas acadêmicas, ele decidiu trocar os teoremas e fórmulas pela prática do cultivo, apostando que a roça lhe daria um futuro mais sólido. Trinta anos depois, os números provam que a escolha foi acertada: a atividade não apenas sustentou sua casa, como também custeou a formação superior de suas três filhas. Atualmente, Ricardo é referência na produção de chuchu, utilizando a mesma variedade de sementes que seu pai plantava há três décadas, mantendo viva uma tradição genética que se adaptou perfeitamente ao solo da região.
O reconhecimento desse trabalho veio de forma oficial na 34ª Exposição Agrícola de Braslândia, onde sua produção conquistou o primeiro lugar na categoria convencional. Com uma colheita média de 300 caixas semanais, o sucesso do produtor é creditado à parceria de longa data com a Emater-DF.
Através do suporte técnico, Ricardo implementou práticas sustentáveis, manejo tecnificado e teve acesso a créditos que permitiram a modernização da lavoura. Segundo os técnicos que o acompanham, o diferencial da propriedade está no rigoroso padrão de qualidade e no "capricho" do plantio, o que resulta em frutos visualmente uniformes e de alto valor de mercado.
Para manter a produtividade da terra durante o ano todo, a propriedade adota um sistema eficiente de rotação de culturas. Antes da colheita do chuchu, a área é ocupada pela abobrinha Itália, aproveitando o parentesco botânico entre as espécies para otimizar o solo. Além desses itens, o produtor diversifica o negócio com o cultivo de couve-flor, mandioca, inhame, jiló e milho.
Essa estratégia garante que o escoamento para o mercado seja constante, provando que a precisão matemática que Ricardo buscava na universidade acabou sendo aplicada, com sucesso, entre os sulcos da terra em Braslândia.

