O que deveria ser um período de intensa movimentação de máquinas no campo transformou-se em dias de espera e apreensão para os agricultores do sudoeste de Goiás. O início da colheita da soja na região está sendo severamente castigado pelo excesso de chuvas, que mantém as colheitadeiras paradas e ameaça o cronograma da segunda safra, a chamada "safrinha".
Máquinas paradas e grãos úmidos
Em Monte Vidiu, o produtor Ivan e seus filhos, Pedro e José, exemplificam o drama vivido por muitos no setor. Com 550 hectares cultivados, a família enfrenta dificuldades para avançar com a colheita devido à persistência da nebulosidade e das precipitações. De acordo com a reportagem, as máquinas chegaram a ficar paradas por mais de uma semana.
A colheita da soja exige condições climáticas específicas. Para que a operação seja eficiente, é necessário pelo menos um período de sol logo no início da manhã para reduzir a umidade das plantas. "A colheita depende de um sol para poder realizar a operação durante o dia", explica o produtor. Com as plantas úmidas, o cuidado precisa ser redobrado: os agricultores verificam a maturação apertando as vagens para ouvir o "estralo", sinal de que a máquina conseguirá debulhar o grão sem perdas excessivas.
Efeito dominó
O atraso na retirada da soja do campo gera um efeito imediato na etapa seguinte: o plantio do milho segunda safra. Como a semente do milho só pode ser semeada após a colheita da soja, a janela ideal de plantio está se fechando.
Diante do cenário, alguns produtores já admitem que parte do milho será plantada entre o final de fevereiro e o início de março, período que não é o mais recomendado pelos técnicos agrícolas. Para mitigar os riscos climáticos futuros, a estratégia de muitos agricultores será substituir parte da área que seria destinada ao milho pelo cultivo do sorgo, que possui um ciclo diferente e maior resistência.
Perspectivas climáticas
Apesar do transtorno imediato para a colheita, o cenário traz um lado positivo para quem já conseguiu colocar as sementes na terra. Segundo climatologistas ouvidos pela reportagem, embora os próximos dias ainda devam ser chuvosos — dificultando a vida de quem está colhendo —, essa umidade no solo favorece o desenvolvimento inicial das culturas de segunda safra, o que pode garantir uma boa produtividade para o milho que já está no campo.
O setor segue monitorando o céu, esperando que as janelas de sol permitam que a soja saia finalmente das lavouras e dê lugar ao próximo ciclo produtivo de Goiás.
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