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Exportação de suco de laranja sobe nos EUA, mas preço ao produtor cai 11%

Queda na demanda europeia elevou estoques na indústria brasileira; cotação da caixa da fruta recuou para R$ 46,58 nesta semana, aponta Cepea

Da redação
DA REDAÇÃO

19/12/2025 • 15:51 • Atualizado em 19/12/2025 • 15:51

Demanda europeia por suco de laranja está fraca

Demanda europeia por suco de laranja está fraca

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Resumo

O mercado internacional de suco de laranja apresenta inversão nas exportações brasileiras na safra 2025/26, com aumento de 25,9% nos envios aos Estados Unidos (162,8 mil toneladas) e queda de 25,5% para a União Europeia (160,6 mil toneladas), resultando em mudança temporária do principal destino da commodity.

O fluxo alterado de exportações, causado pela demanda enfraquecida na Europa, levou ao acúmulo de estoques nas indústrias brasileiras, que reduziram compras e preços pagos aos citricultores, apesar da boa qualidade da fruta na safra atual.

O excesso de oferta industrial pressionou as cotações da laranja pera in natura, negociada a R$ 46,58 por caixa entre 15 e 18 de dezembro, valor que representa queda de 11,45% em relação à semana anterior, exigindo atenção dos produtores ao mercado externo.

O mercado internacional de suco de laranja passa por uma inversão de rotas na safra 2025/26. Nos primeiros cinco meses do ciclo (julho a novembro), as exportações brasileiras dispararam para os Estados Unidos, mas registraram forte queda para a União Europeia, historicamente o principal destino da commodity nacional. O desequilíbrio já afeta a remuneração no campo, pressionando para baixo os valores pagos aos citricultores.

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De acordo com dados do Comex Stat/Mdic, analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o volume enviado aos norte-americanos somou 162,8 mil toneladas de suco concentrado equivalente (66° Brix) no período. O número representa um salto de 25,9% em relação aos mesmos meses da temporada passada.

Em contrapartida, o envio para o bloco europeu recuou 25,5%, totalizando 160,6 mil toneladas. Com isso, os Estados Unidos superaram momentaneamente a Europa como principal comprador do suco brasileiro neste recorte da safra.

Estoques cheios, preços baixos

A mudança no fluxo de exportações tem uma explicação técnica e uma consequência econômica direta. Segundo pesquisadores do Cepea, a safra 2025/26 apresentou boa qualidade de fruta, resultando em um suco de alto padrão. No entanto, a demanda enfraquecida no velho continente impediu o escoamento total dessa produção.

O resultado é a recomposição dos estoques da commodity dentro da indústria brasileira. Com os tanques cheios e a saída de produtos mais lenta para a Europa, as processadoras diminuem o ritmo de compra ou oferecem valores menores pela matéria-prima.

Impacto no bolso do produtor

O reflexo desse cenário é sentido imediatamente "da porteira para dentro". O excesso de oferta industrial gerou pressão sobre as cotações da fruta in natura.

No mercado de mesa (fruta vendida para consumo direto), a desvalorização foi expressiva nesta reta final de ano. Entre os dias 15 e 18 de dezembro, a laranja pera na árvore foi negociada à média de R$ 46,58 por caixa de 40,8 kg.

Esse valor corresponde a uma queda de 11,45% em comparação com a semana anterior. Para o citricultor, o momento exige cautela na negociação e atenção aos movimentos do mercado externo, que continua sendo o grande balizador de preços do setor.

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