Agroband

Falta de diesel e guerra no Oriente Médio ameaçam safra no Brasil

Bloqueio no Oriente Médio interrompe fluxo de fertilizantes e dispara preços do combustível durante pico da colheita de soja e arroz no Rio Grande do Sul

VIVIANE TAGUCHI

08/03/2026 • 14:30 • Atualizado em 08/03/2026 • 14:30

Os conflitos no Oriente Médio começam a prejudicar a colheita da safra brasileira. No último fim de semana, a Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e a Federarroz alertaram que já está faltando óleo diesel na região e o desabastecimento pode comprometer a colheita da soja de verão e arroz no estado.

Compartilhar

A crise é um reflexo direto do severo cenário geopolítico no Oriente Médio devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que paralisou o fluxo global de fertilizantes nitrogenados e causou uma disparada nos preços do petróleo Brent e do frete marítimo.

No Rio Grande do Sul, o impacto é sentido no bolso do produtor e na logística do campo. Em algumas regiões, o preço do diesel subiu mais de R$ 1,20 por litro nos últimos nove dias. De acordo com a Farsul, os Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) deixaram de receber o combustível das refinarias sem aviso prévio. A entidade acionou seu departamento jurídico e o governo estadual para intervir junto ao Ministério de Minas e Energia (MME). Já a Federarroz informou que solicitou o cancelamento de pedidos e reajustes que ameaçam o ritmo das colheitadeiras.

Fertilizantes e o colapso em Ormuz

O Estreito de Ormuz é um ponto de estrangulamento vital para o agronegócio mundial. Por ele, circulam 35% da ureia e 45% do enxofre consumidos globalmente. Com o tráfego colapsado pelo conflito, o preço da ureia já registra alta de 35%.

Além do custo do insumo, o setor enfrenta a explosão dos seguros marítimos. Os prêmios de war risk (risco de guerra) saltaram de 0,25% para 3% sobre o valor do casco dos navios, forçando renegociações de frete a cada viagem.

Especialistas e consultorias de mercado, como Markestrat e Tax Group, convergem sobre o risco iminente de desabastecimento e a elevação dos custos operacionais no Brasil. Até o momento, há um vácuo de informações oficiais por parte da Petrobras ou do governo federal sobre a normalização das entregas no Rio Grande do Sul.

Enquanto órgãos governamentais gaúchos focam em planos de longo prazo para a produção de fertilizantes, o produtor rural enfrenta uma crise de curto prazo que pode comprometer a rentabilidade da atual safra de verão.