
Lavoura de soja em fazenda da SLC Agrícola
Divulgação/SLC
Resumo
O agronegócio brasileiro destaca-se como motor econômico, com grandes empresários históricos e atuais conglomerados rurais, como SLC Agrícola, Grupo Bom Futuro e JBS, que substituíram produtores individuais por grandes empresas com CNPJ.
A liderança no setor varia conforme o critério: SLC Agrícola e Grupo Bom Futuro disputam pela maior área cultivada, enquanto JBS domina o ranking de faturamento; Amaggi apresenta modelo híbrido, com produção própria relevante e forte atuação em exportação.
A ausência de ranking oficial dificulta a mensuração precisa dos maiores produtores, pois empresas de capital aberto divulgam dados auditados, enquanto grupos familiares dependem de informações voluntárias, ressaltando a importância e o impacto do agronegócio na balança comercial e segurança alimentar do Brasil.
O agronegócio é um dos setores mais fortes da economia brasileira. Alguns empresários já foram coroados como “reis” da agricultura ou pecuária como os inesquecíveis Antonio de Moura Andrade, o rei do gado, nos anos 1960, e Olacyr de Moraes, o rei da soja, na década de 1990. Hoje em dia, os maiores produtores rurais brasileiros não tem CPF e sim, um CNPJ, já que seus negócios deram origem a grandes empreendimentos rurais.
A definição de quem assume o posto de "maior produtor rural" do Brasil depende diretamente da régua utilizada para medir o sucesso no campo: o tamanho da área plantada ou o volume de dinheiro movimentado. Atualmente, a liderança na produção agrícola direta é disputada - hectare a hectare - pela SLC Agrícola e pelo Grupo Bom Futuro, enquanto conglomerados como a JBS dominam o cenário quando o critério é receita global.
A batalha pelos hectares: quem planta mais?
No quesito área cultivada — ou seja, a extensão de terra efetivamente destinada à agricultura —, o agronegócio brasileiro observa uma corrida entre dois modelos de gestão distintos: o empresarial e o familiar.
A SLC Agrícola, é uma gigante de capital aberto listada na bolsa de valores (B3), e que cultivou, na safra 2024/2025, uma área de aproximadamente 734 mil hectares.
Segundo relatórios divulgados pela própria companhia, o foco da produção está concentrado nas culturas de soja, milho e algodão. A empresa é frequentemente citada por investidores como a maior operadora agrícola individual do país, valendo-se da transparência de seus balanços auditados.
Do outro lado, representando a força do controle familiar, está o Grupo Bom Futuro. Liderado pelo empresário Eraí Maggi Scheffer, conhecido popularmente como o atual "Rei da Soja", o grupo superou a marca de 650 mil hectares cultivados na safra 2024/2025. A produção do Grupo Bom Futuro impressiona pelo volume físico: são colhidas anualmente cerca de 1,9 milhão de toneladas de grãos e 360 mil toneladas de pluma de algodão.
Gigantes do faturamento: o peso da agroindústria
Quando a análise migra do "chão da lavoura" para o faturamento total da cadeia produtiva, o ranking se transforma. Neste cenário, ganham destaque as empresas que não apenas produzem, mas também processam e exportam. A JBS, empresa do setor de carnes, lidera como a maior empresa do Brasil. A companhia se destaca pelo processamento de proteína animal e sua atuação global.
Na sequência do ranking financeiro, aparecem outras potências agroindustriais, como a Raízen, gigante do setor sucroenergético.
Mas, se a ideia é entender quem é o dono do maior rebanho de gado do país, o empresário Roque Quagliato, fundador do Grupo Rio Vermelho, pode ser considerado o atual “rei do gado”. Ele é reconhecido por deter o maior rebanho individual do Brasil, estimado em cerca de 240 mil cabeças de gado.
O modelo híbrido da Amaggi
Um caso que merece destaque é o da Amaggi. Embora seja mundialmente reconhecida como uma gigante do trading (comercialização e exportação de grãos), a empresa mantém uma divisão agrícola robusta.
Conforme seu Relatório de Sustentabilidade de 2023, a Amaggi reportou cerca de 372 mil hectares de produção própria. Isso a coloca em uma posição estratégica híbrida: possui terras produtivas comparáveis a grandes grupos familiares, mas com uma estrutura logística e financeira de multinacional.
Entenda a dificuldade na medição dos dados
Enquanto empresas como a SLC Agrícola são obrigadas a publicar balanços detalhados por estarem na Bolsa, grupos familiares como o Bom Futuro ou o Grupo Scheffer não possuem a mesma obrigação legal de transparência pública imediata.
Muitos desses dados são obtidos através de declarações à imprensa especializada ou estudos de mercado, uma vez que não existe um "ranking oficial" unificado pelo governo que liste produtores por CPF ou CNPJ, devido ao sigilo fiscal.
Independentemente da métrica, os números reforçam a magnitude do agronegócio brasileiro, setor responsável por grande parte do superávit comercial do país e pela segurança alimentar global.
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