Em resposta ao recente tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está se mobilizando para adotar medidas de retaliação. Segundo o repórter Sebastião Garcia, do AgroBand, uma reunião crucial aconteceu neste final de semana, envolvendo o presidente, ministros e o presidente do Banco Central, que durou aproximadamente quatro horas.
No encontro, ficou decidido que um decreto será editado "hoje ou no máximo amanhã", detalhando as ações que o Brasil tomará em resposta. Além disso, "o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, vai coordenar o grupo de trabalho com empresários" para formular uma resposta eficaz. Estão previstas reuniões com empresários ainda esta semana para discutir o assunto.
Um estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas aponta que a nova tarifação americana poderia reduzir as exportações do agronegócio brasileiro em 75% e resultar numa diminuição de 0,41% no PIB brasileiro. O tarifácio de Trump afetará diretamente produtos brasileiros importantes como café, soja, carne bovina, suco de laranja e petróleo. "12% de tudo o que o Brasil vende vai para o mercado americano", e esse aumento tarifário pode tornar esses produtos não competitivos internacionalmente.
A carta anunciando as novas taxas comerciais, publicada pelo presidente Trump, alega que o Brasil possui um superávit nas relações comerciais com os EUA. No entanto, os dados oficiais mostram que, desde 2009, o Brasil está em déficit com os Estados Unidos, comprando mais do que vendendo para o país norte-americano.
Os setores econômicos brasileiros estão divididos entre preocupação e precaução, e há um consenso de que não existiu "qualquer fato econômico que justificasse uma medida desse tamanho". A prioridade agora é "intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão o mais rápido possível"
Os Estados Unidos, sendo o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, têm uma posição significativa na negociação. Em 2020, a exportação de aviões e outras aeronaves para os EUA chegou a quase 450 milhões de dólares, segundo informações da Embraer, que também está avaliando os impactos desse tarifácio em seus negócios.
Apesar da tarifa sobre o aço brasileiro já ter sido reajustada em 50% no mês passado, os impactos esperados são vastos. Há uma previsão de perda de 110.000 postos de trabalho no Brasil, afetando principalmente a agropecuária, o comércio e a indústria. Nos Estados Unidos, o setor de café, que sustenta cerca de dois milhões de empregos, também poderá ser afetado.
Na produção, estima-se que haverá uma redução de quase 2% em tratores e máquinas agrícolas, 3% em carne de suíno e 4,18% em carne de aves.
Como atuará o grupo de trabalho
Em entrevista exclusiva, o vice-presidente Alckmin revelou o grupo de trabalho incluirá conversas com o setor privado brasileiro e norte-americano, já que a medida atinge fortemente os empresários dos Estados Unidos. "As empresas americanas que estão no Brasil, que são muito importantes e acabam também sendo, de alguma forma, prejudicadas", explicou.
O vice-presidente destacou que o objetivo principal é demonstrar que o Brasil não representa um problema para a balança comercial dos Estados Unidos. "Estados Unidos têm um enorme déficit na balança comercial, no ano passado, foram 25 bilhões de dólares e superado. E, de outro lado, dos 10 produtos que os Estados Unidos mais exportam para o Brasil, 8 não pagam imposto. Então o Brasil não é problema para os Estados Unidos", afirmou Alckmin.
Além das questões comerciais, Alckmin também abordou temas internos, como a alta taxa básica de juros no Brasil, atualmente em 15%. Ele defendeu a necessidade de uma redução dessa taxa, especialmente diante de fatores como a queda no preço dos alimentos e a recente valorização do real frente ao dólar. "Esperamos que agora, com super safra, portanto, queda de preço de alimento e o dólar vindo de 6 e 20 para 5 e 50, a taxa de juros já comece a subir", explicou.
O vice-presidente ainda criticou a política de juros atual e sugeriu a adoção de um modelo semelhante ao do Federal Reserve, o banco central americano, que exclui certos itens, como alimentos e energia, do cálculo da taxa de juros principal. "Tentar aumentar os juros que não vai fazer chover, então não há. Não vai baixar o preço da comida porque aumentei juros, a mesma coisa. Isso é combustível, petróleo, barril de petróleo. É guerra, é geopolítica, não adianta aumentar juros, eu só vou prejudicar a economia", criticou.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

