
Banco Central estima que a dívida do agro gire em torno de R$ 140 bilhões
Joseane Antunes/Embrapa
O governo federal apresentará, nos próximos dias, uma proposta de renegociação de dívidas rurais de agricultores. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o lançamento oficial do Plano Safra 2026/27, realizado nesta terça-feira (30), em Brasília. A medida visa a trazer alívio financeiro imediato para o setor produtivo, que enfrenta um cenário de forte endividamento.
Durigan ressaltou que o diálogo com o Congresso Nacional tem sido intenso e permanente para viabilizar as ações de socorro. De acordo com o ministro, a principal aposta do Executivo para reconquistar a confiança dos produtores rurais é a redução das taxas de juros nas linhas de crédito.
Mesmo em um cenário de política monetária contracionista e taxas básicas elevadas, o ministro da Fazenda garantiu que o governo fez um esforço fiscal para reduzir os juros em quase todas as linhas de financiamento do Plano Safra. O objetivo é restabelecer a capacidade de investimento da porteira para dentro.
Pressão do agronegócio no Congresso
A iniciativa da renegociação surge em um momento de forte articulação política da bancada do agronegócio. Entidades ligadas ao setor produtivo e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressionam os deputados federais para acelerar a votação do PL 5122/2023 na Câmara dos Deputados.
O projeto de lei em questão foi aprovado pelo Senado Federal com alterações e, por esse motivo, retornou para a análise da Câmara. Os parlamentares que defendem os produtores rurais argumentam que a proposta do Senado oferece um fôlego financeiro mais robusto e imediato do que as opções avaliadas pela equipe econômica.
Enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária busca acelerar a votação do projeto de lei para garantir o suporte financeiro, o Palácio do Planalto atua nos bastidores para conter os potenciais impactos fiscais da renegociação de dívidas. O Ministério da Fazenda busca desenhar um formato que atenda às demandas emergenciais do campo sem comprometer as metas de equilíbrio das contas públicas.
A equipe econômica deve finalizar os detalhes técnicos da proposta de renegociação de dívidas rurais até o fim da semana, antes de encaminhar o texto final para a discussão com as lideranças partidárias no Congresso Nacional.
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