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Governo recua de decreto após indígenas invadirem terminal no Pará

Indígenas ocuparam porto em Santarém contra dragagem nos rios Tapajós e Madeira; setor produtivo repudia ato e alerta para prejuízos no escoamento

Da redação
DA REDAÇÃO

24/02/2026 • 09:50 • Atualizado em 24/02/2026 • 09:50

Resumo

A revogação do decreto que incluía os rios Madeira e Tapajós no programa de desestatização foi anunciada pelo governo federal após indígenas invadirem e suspenderem as operações do terminal de grãos da Cargill em Santarém, durante o escoamento da maior safra de soja do país.

A invasão, realizada por indígenas mascarados, teve como objetivo pressionar pela suspensão do decreto presidencial, levando entidades do setor portuário e a Frente Parlamentar da Agropecuária a condenarem o ato e alertarem para prejuízos à competitividade e ao desenvolvimento econômico devido à interrupção da dragagem dos rios.

A decisão política foi defendida pelo ministro Guilherme Boulos, que legitimou a pauta indígena, enquanto representantes do agronegócio destacaram o impacto negativo sobre a exportação e logística da safra recorde, diante da paralisação das atividades e da disputa entre preservação ambiental e integração econômica.

O governo federal anunciou a revogação do decreto que incluía os rios Madeira e Tapajós no programa de desestatização após indígenas invadirem o terminal de grãos da Cargill, em Santarém (PA). A invasão ocorreu nesta semana, em meio ao escoamento da maior safra de soja da história do país, resultando na suspensão de todas as atividades na unidade portuária, um dos principais pontos de saída de grãos do Arco Norte brasileiro.

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A ação foi realizada por um grupo de indígenas mascarados que entraram no terminal portuário portando paus e danificaram câmeras de segurança. O grupo já ocupava a entrada do porto há cerca de um mês, mas decidiu radicalizar o protesto para exigir a suspensão do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto do ano passado.

Entenda o impacto no setor produtivo

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e outras entidades do setor portuário repudiaram a invasão e a depredação do patrimônio. Em nota, as instituições classificaram o episódio como um "ato ilegal e incompatível com o estado democrático de direito", cobrando uma resposta rápida da justiça e do governo do Pará para a retomada das operações.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também criticou a postura do governo federal em recuar diante da pressão dos invasores. Parlamentares do setor afirmam que, sem a manutenção e a dragagem dos rios, a Amazônia e o Brasil perdem competitividade e comprometem o desenvolvimento econômico.

A dragagem é o processo de remoção de sedimentos (como areia e lama) do fundo dos rios para garantir a profundidade necessária à navegação de grandes embarcações. Sem esse serviço, o acúmulo de areia obstrui o canal, impedindo que os navios carreguem a capacidade total de grãos, o que encarece o frete e prejudica a exportação.

Decisão política e comemoração indígena

Diante das ameaças de novos ataques, o governo federal cedeu. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, minimizou o caráter violento da invasão e defendeu a legitimidade da pauta. Segundo ele, a decisão pela revogação do decreto 12.600 foi firmada para atender à mobilização dos povos indígenas.

Dentro do terminal da Cargill, os indígenas comemoraram a decisão governamental. Para o movimento, a inclusão dos rios no programa de desestatização e as obras de dragagem representariam riscos à vitalidade dos ecossistemas locais. Por outro lado, especialistas do agronegócio alertam que o uso de hidrovias é o modal mais barato e sustentável para integrar o estado e facilitar a colocação do produto brasileiro no mercado externo.

Com a suspensão das atividades em Santarém, o cronograma de escoamento da soja produzida no Centro-Oeste sofre atrasos significativos, gerando incerteza sobre os custos logísticos da safra recorde.