
Mapeamento agrícola com uso de IA entra no manual da ONU
Divulgação/IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desenvolveu uma tecnologia inovadora que utiliza Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (aprendizado de máquina) para automatizar a identificação e o monitoramento de campos agrícolas em todo o Brasil. O método é tão relevante que passou a integrar o novo manual da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre estatísticas agrícolas, colocando o Brasil na vanguarda da tecnologia geoespacial.
A nova metodologia permite que algoritmos identifiquem, com precisão e rapidez, os chamados talhões — que são as menores unidades de análise no campo, geralmente áreas homogêneas dedicadas a uma única cultura. Na prática, a inovação moderniza o setor ao entregar resultados mais próximos à realidade e com atualizações muito mais frequentes do que o modelo tradicional.
IA aprende padrões do território brasileiro
A tecnologia, desenvolvida pela Gerência de Inteligência em Dados Agropecuários e Inovação do IBGE, utiliza redes neurais profundas. Segundo Ian Monteiro Nunes, pesquisador do instituto, o modelo foi "pré-treinado" para entender as características específicas da paisagem brasileira. Isso confere robustez ao sistema, que consegue delimitar automaticamente as áreas de plantio sem depender exclusivamente de processos manuais exaustivos.
Para o professor Hugo Oliveira, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que colaborou com o projeto, o uso de Machine Learning elimina a necessidade de visitas de campo dispendiosas e o trabalho manual de grandes equipes de especialistas. O resultado é um ganho de escala sem precedentes e uma redução drástica nos custos de produção de dados oficiais.
Impactos práticos no Censo e no dia a dia do produtor
A aplicação dessa inteligência artificial terá um impacto direto no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola. A ferramenta permitirá uma coleta de dados geoespacializados com um nível de detalhamento inédito no país, acompanhando em tempo real a expansão de lavouras e mudanças no uso da terra.
Para o setor produtivo, a principal vantagem reside na precisão da projeção de safras. Ao cruzar a delimitação exata da área plantada com modelos de rendimento, o IBGE poderá entregar estatísticas muito mais confiáveis. Além disso, a tecnologia apoiará pesquisas regulares, como a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) e o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).
Esforço nacional e reconhecimento internacional
A construção desse sistema foi um trabalho de fôlego que durou 17 meses e contou com uma força-tarefa de mais de cem profissionais do IBGE em todo o país. A equipe realizou a anotação manual de mais de 1,6 milhão de polígonos (campos agrícolas) sobre imagens de satélite para "ensinar" a inteligência artificial.
O reconhecimento da ONU, ao incluir o método em seu manual prático, consolida o IBGE como referência global em ciência de dados. De acordo com os técnicos, a versatilidade do método é tão grande que poderá ser aplicada no futuro até para o mapeamento urbano, delimitação de áreas verdes e apoio a estimativas populacionais.
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