
Colheita da cana-de-açúcar tem início na principal região produtora e reduz preço do etanol
Wenderson Araújo/CNA
O início da colheita oficial da safra 2026/2027 de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil e a maior disponibilidade de etanol produzido a partir de milho aumentaram a vantagem do biocombustível em relação à gasolina na maior parte do país, sobretudo na região sudeste e sul. De acordo com pesquisadores do Cepea, a maior oferta tem mantido os valores de negociação em queda, o que reflete diretamente nas bombas dos postos de combustíveis.
A tendência de baixa é impulsionada pelo clima firme e dias ensolarados, que aceleram o ritmo da colheita no campo e, consequentemente, a produção industrial. No campo, as usinas estão antecipando as negociações para evitar perdas maiores com futuras quedas, e o mercado spot (negociações feitas com o preço do dia, à vista) apresenta uma oportunidade real de economia para quem possui veículos flex.
A regra dos 70% e a vantagem para o motorista
Para o consumidor final, a decisão entre abastecer com etanol ou gasolina passa por um cálculo simples de eficiência. Historicamente, o etanol é considerado mais vantajoso quando seu preço custa até 70% do valor da gasolina. Com a queda verificada nos preços do etanol hidratado em São Paulo e em outros estados da região, essa paridade tem ficado abaixo desse limite, confirmando a vantagem financeira do biocombustível.
Além da questão econômica, o aumento na produção de etanol de milho garante um suprimento constante, reduzindo a volatilidade de preços que costumava ocorrer nos períodos de entressafra da cana-de-açúcar. Esse cenário oferece mais previsibilidade para o orçamento doméstico de quem depende do carro para trabalhar ou se locomover.
Apesar da maior oferta, a demanda tem se mantido cautelosa, influenciada por feriados recentes que tornaram a comercialização mais lenta. Algumas distribuidoras têm operado com estoques baixos, focadas apenas em necessidades imediatas, o que pode pressionar ainda mais as usinas a reduzirem os preços para estimular o giro de estoque.
Para o motorista, o momento é de monitorar os preços regionais. Como a queda de braço entre produtores e distribuidoras continua, a tendência é que o biocombustível mantenha sua competitividade nas próximas semanas, especialmente com a colheita em ritmo pleno no cinturão produtor brasileiro.
