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Inseto minúsculo, cigarrinha-do-milho causa prejuízo de R$ 25,8 bi ao agro

Estudo da CNA, Embrapa e Epagri revela que o inseto reduziu a produção nacional em 22,7%, gerando perdas anuais de quase 32 milhões de toneladas

VIVIANE TAGUCHI

30/01/2026 • 19:24 • Atualizado em 30/01/2026 • 19:24

Cigarrinha-do-milho "comeu" 32 milhões de toneladas de milho

Cigarrinha-do-milho "comeu" 32 milhões de toneladas de milho

Charles Martins de Oliveira

Resumo

O levantamento realizado pela CNA, Embrapa e Epagri mostrou que a praga cigarrinha-do-milho causou prejuízo de US$ 25,8 bilhões ao Brasil entre as safras 2020/21 e 2023/24, com queda de 22,7% na produção e perda média anual de 31,8 milhões de toneladas de milho.

O estudo utilizou dados do Projeto Campo Futuro em 34 municípios representativos, revelando que 79,4% das regiões tiveram impactos relevantes na produtividade e que a infestação da cigarrinha é generalizada no país, exigindo manejo preventivo devido à ausência de tratamento curativo para as doenças transmitidas.

O controle da praga aumentou em 19% os custos com inseticidas, superando US$ 9 por hectare, pressionando a rentabilidade dos produtores e tornando o monitoramento contínuo e a elaboração de políticas públicas essenciais para a segurança alimentar e sustentabilidade do setor.

O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor mundial de milho e o segundo maior exportador global, mas a praga cigarrinha-do-milho causou um prejuízo estimado em US$ 25,8 bilhões aos produtores brasileiros entre as safras de 2020/21 e 2023/24. O dado consta em um levantamento conjunto realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Embrapa e Epagri. O estudo aponta que o ataque do inseto foi responsável por uma queda de 22,7% na produção nacional de milho no período analisado. Em números absolutos, o Brasil deixou de colher cerca de 31,8 milhões de toneladas do grão por ano devido à praga.

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O levantamento utilizou dados do Projeto Campo Futuro, do Sistema CNA/Senar, que monitora custos de produção em todo o país. A análise considerou informações técnicas de 34 municípios que representam as principais regiões produtoras brasileiras. De acordo com o relatório, a presença da praga é generalizada no território nacional. Entre os municípios avaliados, 79,4% relataram que o inseto causou impactos relevantes na produtividade das lavouras.

O que é a cigarrinha e o complexo de enfezamentos

A cigarrinha-do-milho é um inseto minúsculo, mas que atua como vetor de doenças graves para a cultura. O principal problema é o chamado "complexo de enfezamentos", causado por molicutes (microrganismos semelhantes a bactérias) que o inseto transmite ao sugar a seiva da planta.

Essas doenças não possuem tratamento curativo. Isso significa que, uma vez que a planta é infectada, não há como reverter o dano. O enfezamento atrofia o crescimento do milho e impede o desenvolvimento correto das espigas.

Em situações de alta incidência e quando o produtor utiliza híbridos suscetíveis — sementes que não possuem resistência genética natural —, as perdas podem chegar a 100% da produção. Por isso, o manejo preventivo é a única saída para o agricultor.

Custos de controle em alta

Além da perda direta na colheita, a cigarrinha encareceu drasticamente o custo de produção para o agricultor brasileiro. O levantamento identificou que o gasto médio com a aplicação de inseticidas para controlar o inseto subiu 19% entre as últimas safras.

Atualmente, o custo para tentar frear o avanço da praga supera os US$ 9 por hectare. Esse aumento pressiona as margens de lucro do produtor e exige uma gestão financeira e técnica muito mais rigorosa "da porteira para dentro". Tiago Pereira, assessor técnico da CNA e um dos autores do estudo, alerta que o problema deixou de ser regional. Para ele, a cigarrinha representa hoje um "risco sistêmico" para toda a cadeia produtiva do milho no país.

Estratégias e segurança alimentar

A pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, ressalta que os dados fornecem uma base técnica essencial para a criação de políticas públicas. Segundo ela, o monitoramento contínuo é vital para aprimorar as estratégias de manejo e proteger a renda do campo. Larissa Mouro, coordenadora do Campo Futuro, destaca que o projeto conseguiu transformar a percepção de perda dos produtores em dados econômicos sólidos. Essa estatística é fundamental para que o setor saiba exatamente o tamanho do desafio que enfrenta.