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Mega Leite 2026: feira em Belo Horizonte deve movimentar R$ 400 milhões

Maior evento da cadeia leiteira na América Latina reúne produtores e especialistas para celebrar o setor e apresentar avanços em genética e tecnologia

Da redação
DA REDAÇÃO

01/06/2026 • 16:08 • Atualizado em 01/06/2026 • 16:08

A capital mineira, Belo Horizonte, recebe, a partir desta terça-feira (2), a Mega Leite 2026, feira que é referência para o agronegócio e deve gerar mais de R$ 400 milhões em negócios até o próximo sábado (6). O evento, realizado no Parque de Exposições da Gameleira, marca as celebrações do Dia Mundial do Leite, comemorado em 1º de junho.

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A feira concentra as principais novidades em inovação, manejo e sanidade animal, reafirmando o papel de Minas Gerais como o maior polo produtor de leite do país. A expectativa da organização é atrair milhares de visitantes interessados em genética de ponta e novas tecnologias para o campo.

Nova geração e avanços na raça Girolando

Um dos destaques desta edição é a participação de jovens produtores rurais que aplicam conhecimentos técnicos modernos na gestão das fazendas. Túlio Araújo, médico veterinário de 25 anos, personifica essa renovação ao dar continuidade a um trabalho de seleção da raça Girolando que já soma 39 anos em sua família.

Araújo ressalta que a melhoria contínua do rebanho, processo que conduz há nove anos, é o que garante a competitividade no mercado atual. Ele trouxe para a capital mineira 12 animais de alta performance, com média de produção de 35 litros de leite por dia.

O produtor explica que a feira funciona como uma vitrine nacional e internacional, onde o rigor técnico é posto à prova em competições. Para ele, vencer ou ser destaque entre os melhores animais consagra os investimentos feitos em genética e manejo dentro da propriedade.

Sanidade animal e segurança alimentar

A preocupação com a saúde do rebanho é outro pilar central discutido na Mega Leite 2026. Segundo Araújo, o controle sanitário rigoroso, que inclui vacinação e exames frequentes, é a base para entregar um produto de qualidade ao consumidor final.

"A gente tem que cuidar desses animais para que não ocorra risco ao ser humano", afirma o veterinário. Essa visão técnica reforça a importância da sanidade para a segurança alimentar, um dos temas que ganham força durante as rodadas de palestras e workshops do evento.

Entre os exemplares levados pelo produtor, destacam-se vacas premiadas em Uberaba e animais qualificados como as melhores fêmeas jovens da raça. O Girolando é uma raça sintética genuinamente brasileira, desenvolvida para ser produtiva em climas tropicais, o que explica sua dominância na pecuária nacional.

Desafios estruturais do setor leiteiro

Apesar do otimismo com os negócios na feira, o setor leiteiro nacional enfrenta um cenário complexo de custos elevados e concorrência externa. Atualmente, o Brasil possui 1,1 milhão de propriedades produtoras de leite, responsáveis por um volume anual de 35 bilhões de litros.

Um dos maiores obstáculos mencionados por especialistas é o impacto das importações de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. Guilherme Dias, assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Leite da CNA, pontua que a prática de dumping — exportação com preços abaixo do custo — foi reconhecida pelo governo.

As margens de subfaturamento chegaram a 60% no caso do leite argentino, prejudicando a rentabilidade do produtor brasileiro. O setor agora monitora as avaliações de interesse público do governo federal para que medidas de proteção e tarifas compensatórias possam equilibrar o mercado interno.

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