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Moagem de cana-de-açúcar no Norte e Nordeste cai 2% na safra 2025-2026

Produção favorece o etanol em detrimento do açúcar devido a tarifas americanas e condições climáticas, aponta levantamento da NovaBio

VIVIANE TAGUCHI

29/05/2026 • 15:11 • Atualizado em 29/05/2026 • 15:11

Usinas do Norte e Nordeste direcionam mais cana para a produção de etanol

Usinas do Norte e Nordeste direcionam mais cana para a produção de etanol

José Cruz/Agência Brasil

A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste registrou um total de 55,9 milhões de toneladas no acumulado até 30 de abril da safra 2025-2026. O volume representa uma queda de 2% em comparação ao mesmo período do ciclo anterior, mantendo a tendência de um mix de produção mais voltado para o setor alcooleiro. Do total processado, 55,20% da matéria-prima foi destinada à fabricação de etanol.

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Os dados foram divulgados pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com o balanço, o setor alcançou 94,7% da moagem estimada para toda a temporada nas duas regiões.

Tarifas e clima impactam produção de açúcar

O presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, avalia que o recuo na moagem e a mudança no mix de produção são reflexos de fatores externos e ambientais. Segundo o executivo, as unidades produtoras priorizaram o etanol porque as tarifas impostas pelos Estados Unidos retiraram a competitividade do preço do açúcar no mercado internacional.

Além do cenário comercial, as condições climáticas adversas explicam a diminuição no volume total de cana processada. "Do lado positivo, o aumento na produção de etanol é uma contribuição decisiva para a redução de emissões e a transição energética", ressaltou Cunha.

No recorte regional, o Nordeste processou 48,9 milhões de toneladas, um recuo de 1,4%. Já no Norte, a moagem totalizou 6,9 milhões de toneladas, permanecendo 5,5% abaixo do registrado no intervalo correspondente da temporada passada.

Produção de etanol registra alta superior a 30%

A produção total de etanol nas duas regiões, somando o biocombustível derivado da cana-de-açúcar e do milho, atingiu 3,017 milhões de metros cúbicos. O número é significativamente superior aos 2,239 milhões de metros cúbicos registrados no mesmo período do ciclo anterior.

No caso específico do etanol de cana, o tipo anidro (utilizado na mistura com a gasolina) somou 892,8 mil metros cúbicos, alta de 7,9%. Já o hidratado (consumido diretamente nas bombas) teve um leve recuo de 1,4%, totalizando 1,392 milhão de metros cúbicos. O etanol de milho manteve sua produção estável em 732 mil metros cúbicos.

Em contrapartida, a produção de açúcar sofreu uma retração severa. O volume acumulado até o final de abril foi de 3,135 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 15,8% em relação ao ano anterior.

Qualidade da cana e estoques em queda

A qualidade da matéria-prima também apresentou indicadores negativos nesta safra. O Açúcar Total Recuperável (ATR), principal índice de medição de qualidade, recuou 6,8% nos produtos finais. Quando analisado por tonelada de cana, a queda foi de 4,9%.

Os estoques de etanol também encerraram o período em patamares mais baixos. O volume total estocado foi de 138 mil metros cúbicos, uma redução de 23,89% em comparação à temporada passada. A maior queda foi observada no etanol hidratado, que registrou baixa de 28,12% nos reservatórios.