
Safra de cana é encerrada com 611 milhões de toneladas
Wenderson Araújo/Trilux
As unidades produtoras de etanol e açúcar localizadas na região Centro-Sul do Brasil concluíram a safra de cana-de-açúcar 2025/2026 com um volume total de 611,15 milhões de toneladas processadas. O resultado representa um recuo de 10,78 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, quando as usinas moeram 621,93 milhões de toneladas da matéria-prima.
A produtividade agrícola acompanhou a tendência de queda, registrando 74,4 toneladas de cana por hectare colhido, índice 4,1% inferior ao apurado no período anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Segundo Luciano Rodrigues, Diretor de Inteligência Setorial da UNICA, a redução já era esperada devido às condições climáticas registradas durante o crescimento da lavoura.
Produção de açúcar e biocombustíveis
No entanto, mesmo com a queda na moagem, o ciclo consolidou-se como a quarta maior marca histórica do Centro-Sul. A produção de açúcar atingiu 40,43 milhões de toneladas, mantendo estabilidade frente aos 40,18 milhões de toneladas da safra 24/25.
No segmento de combustíveis, a produção de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56%. O etanol hidratado — utilizado diretamente nos tanques — somou 20,83 bilhões de litros, enquanto o anidro, misturado à gasolina, cresceu 4,22%, atingindo 12,89 bilhões de litros.
O destaque do balanço foi o etanol de milho, que avançou 12,26% e já responde por 27,28% do biocombustível total da região. De acordo com a UNICA, o consumo de etanol no ciclo evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, o maior resultado da série histórica.
Início da safra 2026/2027 prioriza etanol
A nova safra de cana-de-açúcar, que começou em abril, apresenta um ritmo acelerado de moagem. Na primeira quinzena do mês, o processamento alcançou 19,56 milhões de toneladas, alta de 19,67% em relação ao mesmo período do ano passado. Atualmente, 195 unidades produtoras estão em operação no Centro-Sul.
A estratégia das usinas neste começo de ano é priorizar o combustível. Cerca de dois terços da cana moída foram direcionados para a fabricação de etanol, resultando em uma fabricação de 1,23 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de abril.
Luciano Rodrigues avalia que o movimento oferece maior segurança ao abastecimento doméstico em um cenário de incertezas energéticas globais. A expectativa do setor é que as vendas cresçam nas próximas semanas, à medida que a queda de preços verificada nas usinas seja transmitida aos postos para o consumidor final.
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