
Ora-pro-nóbis: hortaliça não convencional
Zineb BENCHEKCHOU/Embrapa
As Plantas Alimentícias Não Convencionais, mais conhecidas pela sigla PANCs, são espécies com potencial alimentício que não fazem parte da dieta diária da maioria da população. O termo abrange uma vasta gama de vegetais, incluindo folhas, frutos, flores e raízes que, apesar de nutritivos, são frequentemente ignorados ou considerados "mato".
O conceito foi criado em 2008 pelo biólogo e professor Valdely Ferreira Kinupp para designar plantas nativas ou exóticas, que podem surgir de forma espontânea ou serem cultivadas, mas que não são produzidas ou consumidas em larga escala. Em contraste com alimentos convencionais como arroz, feijão e milho, as PANCs representam uma imensa diversidade alimentar ainda pouco explorada.
Muitas dessas plantas são rústicas e se desenvolvem bem sem a necessidade de insumos agrícolas intensivos, o que as torna aliadas da agricultura familiar e de sistemas produtivos mais sustentáveis. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) define as PANCs como espécies que, apesar do potencial, não são consumidas em grande escala, destacando seu valor para a diversidade alimentar.
Exemplos de PANCs
A variedade de Plantas Alimentícias Não Convencionais é vasta, com espécies adaptadas a diferentes biomas brasileiros. Muitas delas são facilmente encontradas em quintais, terrenos baldios e feiras de produtores locais. Conheça algumas das mais populares:
- Ora-pro-nóbis: Famosa por seu alto teor de proteína, suas folhas podem ser consumidas refogadas, em saladas ou adicionadas a massas e sopas.
- Taioba: Suas folhas grandes e macias são tradicionalmente consumidas cozidas ou refogadas, sendo uma excelente fonte de vitaminas A e C, além de minerais.
- Capuchinha: Suas flores e folhas têm um sabor picante, semelhante ao do agrião, e podem ser usadas em saladas e na finalização de pratos.
- Peixinho-da-horta: Conhecida por suas folhas aveludadas que, quando fritas, lembram o sabor de peixe, sendo um ótimo petisco.
- Vinagreira: Utilizada no preparo do tradicional arroz de cuxá maranhense, suas folhas e cálices têm um sabor ácido e versátil.
- Beldroega: Rica em ômega-3, suas folhas suculentas podem ser consumidas cruas em saladas ou refogadas.
Como cultivar e consumir
O interesse crescente pelas PANCs tem sido impulsionado tanto por chefs de cozinha, que buscam inovar em seus cardápios, quanto por consumidores que procuram uma alimentação mais nutritiva e diversificada. Para incentivar esse movimento, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou o "Manual de Hortaliças Não Convencionais".
O documento oferece informações detalhadas sobre a identificação, o cultivo e o manejo de diversas espécies, servindo como um guia prático para agricultores e para quem deseja cultivar suas próprias PANCs em casa. O manual reforça a importância dessas plantas para a segurança alimentar e a sustentabilidade na produção de alimentos.
Apesar do incentivo de órgãos como a Embrapa e o MAPA, a produção em larga escala e as estatísticas de mercado para as PANCs ainda são limitadas, o que reflete seu status de "não convencionais".
A falta de um guia único consolidado com todas as espécies existentes no Brasil mostra que ainda há um vasto campo a ser explorado, tanto pela ciência quanto pela gastronomia.
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