Agroband

Petróleo e agricultura brasileira impulsionam economia da Guiana

Descoberta de reservas de óleo e investimentos de produtores rurais de Roraima transformam nação, que já registra alta renda per capita

Da redação
DA REDAÇÃO

16/04/2026 • 09:53 • Atualizado em 16/04/2026 • 09:53

Resumo

Descoberta de petróleo em 2015 impulsionou transformação econômica na Guiana, elevando o Produto Interno Bruto de 5 para 24 bilhões de dólares em cinco anos e aumentando a renda per capita de 6 mil para 90 mil dólares, tornando o país o 17º maior produtor mundial com reservas estimadas em 12 bilhões de barris.

Expedição da Associação dos Produtores de Soja de Roraima e apoio do ministro da agricultura Zukfar Mustafá fortaleceram integração agrícola entre Brasil e Guiana, destacando a promessa de redução de burocracia e a pavimentação da rodovia entre Roraima e Georgetown, prevista para 2030, que facilitará exportação de grãos brasileiros.

Gargalos estruturais, como saneamento básico deficiente em Georgetown, são enfrentados pelo governo guianense, que adotou medidas para distribuir riqueza do petróleo, incluindo auxílio financeiro de 2.500 reais para cidadãos adultos e aumento do salário mínimo para 2.000 reais, impulsionando o mercado de trabalho e obras de infraestrutura.

A Guiana, país que faz fronteira com o estado de Roraima, vive um processo de transformação econômica acelerado. De uma das nações mais pobres do planeta, o país alcançou o topo dos rankings de riqueza nos últimos anos.

Compartilhar

O principal motor dessa mudança foi a descoberta de petróleo na costa guianense em 2015, somada à chegada estratégica de produtores rurais brasileiros que investem na região.

O crescimento é evidenciado pelos números: em um período de apenas cinco anos, o Produto Interno Bruto (PIB) saltou de 5 bilhões de dólares para mais de 24 bilhões de dólares. A renda per capita acompanhou a evolução, subindo de 6 mil dólares para mais de 90 mil dólares. Atualmente, estima-se que a Guiana possua reservas de 12 bilhões de barris de petróleo, ocupando a 17ª posição entre os maiores produtores mundiais.

Integração logística e agrícola

Uma expedição conduzida pela Associação dos Produtores de Soja de Roraima visitou Georgetown, capital da Guiana, para estreitar laços e avaliar as oportunidades no setor agrícola. O ministro da agricultura da Guiana, Zukfar Mustafá, reforçou o interesse do país em abrir as portas para a agricultura brasileira, prometendo agilidade nos processos e redução da burocracia.

Um dos projetos centrais para essa integração é a pavimentação da rodovia que liga Roraima ao Porto de Georgetown. A obra, prevista para ser concluída até 2030, criará uma nova rota para o escoamento de grãos brasileiros. Atualmente, mais da metade do trajeto entre os dois países ainda é de estrada de terra, enfrentando desafios com poeira e lama conforme a estação.

Desafios do desenvolvimento acelerado

Apesar dos indicadores econômicos robustos, a Guiana ainda enfrenta gargalos estruturais. Em Georgetown, o saneamento básico é um dos problemas visíveis; em frente a monumentos nacionais, como a Catedral de San George — considerada a igreja de madeira mais alta do mundo —, o esgoto ainda corre a céu aberto.

Para mitigar as desigualdades e distribuir a riqueza vinda do petróleo, o governo guianense adotou medidas diretas de auxílio. No ano passado, todos os cidadãos com mais de 18 anos receberam um auxílio de 2.500 reais.

O mercado de trabalho também está aquecido, com obras de infraestrutura e rodovias por todo o país, elevando o salário mínimo local para o patamar de 2.000 reais.

Tópicos relacionados