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Plano Safra 2025/26 oferece R$ 516,2 bilhões para financiar o agronegócio em 2026

O valor representa um acréscimo de R$ 8 bilhões em relação à safra anterior com juros entre 8% e 13,5%

VIVIANE TAGUCHI

01/07/2025 • 10:39 • Atualizado em 01/07/2025 • 10:39

Colheitadeiras em lavoura de soja

Colheitadeiras em lavoura de soja

Wenderson Araújo/CNA

O Plano Safra 2025/26, política pública para o financiamento da produção agropecuária, destinado a grandes e médios produtores rurais será de R$ 516,2 bilhões, 1,5% acima do valor concedido em créditos na safra anterior (R$8 bilhões a mais). O anúncio acontece nesta terça-feira (1º), um dia após o governo anunciar o Plano Safra para a Agricultura Familiar, de R$ 89,2 bilhões. Juntos, todos os recursos somam R$ 605 bilhões para o setor.

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O Plano Safra da agricultura empresarial é coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e contempla operações de custeio, comercialização e investimentos. Dos R$ 516,2 bilhões, o Plano Safra está dividido em R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização da safra e R$ 101,5 bilhões para investimentos. O Pronamp, para médios produtores, terá disponível R$ 69,1 bilhões e as demais linhas, destinadas a grandes produtores rurais e cooperativas, R$ 447 bilhões. O Funcafé, por sua vez, terá R$ 7,2 bilhões disponíveis. “O resultado de mais um super Plano Safra, que é o terceiro recorde consecutivo de aumento, será mais uma supersafra, como aconteceu em 2025”, disse o ministro da agricultura, Carlos Fávaro.

As condições variam de acordo com o perfil do beneficiário e o programa acessado. Para esta safra, as taxas para o custeio dos médios produtores serão de 10% e as dos demais, de 14%. Nos investimentos, as alíquotas vão variar entre 8,5% e 13,5%. “A inflação está controlada, a economia está crescendo e a Selic de 15% ao ano, que é 4,5% acima dos 10,5% do ano passado, é incompreensível para mim, é desproporcional”, afirmou. “O orçamento do governo está cada vez mais restrito e este Plano Safra recorde foi um grande desafio para todos nós”. Fávaro destacou que, mesmo com os desafios econômicos, o governo conseguiu manter em, no máximo em 2% o aumento das taxas de juros do Plano Safra.

O ministro destacou que 25 agentes financeiros vão atuar no Plano Safra 2025/26. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai oferecer R$ 18 bilhões em recursos a juros livres no Plano Safra da Agricultura Empresarial, afirmou Fávaro. Deste total, pelo menos R$ 14,4 bilhões serão repassados em financiamentos de custeio e investimentos com recursos atrelados ao dólar, com juros de 8,5% a 9% ao ano. As linhas dolarizadas são defendidas pelo Ministério da Agricultura. “Faz todo sentido para o produtor rural que produz com foco em exportações”.

O Programa de Construção de Armazéns (PCA) também passa por mudanças nesta safra e o limite de capacidade das estruturas a serem financiadas com juros mais baixos e equalizados no Plano Safra é maior, de 6 mil toneladas para 12 mil toneladas. Na próxima safra, que tem início em meados de setembro, as taxas para essa categoria serão de 8,5% ao ano e, para estruturas maiores, as alíquotas serão de 10% ao ano.

Recuperação de pastagens brasileiras

Fernando Haddad, Ministro da Fazenda, defendeu que o anúncio do Plano Safra, feito em duas etapas, para a agricultura familiar e para a agricultura empresarial, deveria ser anunciado junto. Isso porque o total dos investimentos para a próxima safra é de R$ 605 bilhões, montande que atenderia o pedido das entidades que representam o agronegócio, que indicaram, meses atrás que uma política de financiamento adequado ao setor deveria oferecer, pelo menos R$ 594 bilhões.

Haddad defendeu ainda que a Reforma Triibutária também deveria ser considerada como um investimento no agronegócio, já que será ponto fundamental e transformador para a agroindústria e economia do Brasil. “Vamos deixar de exportar impostos. A reforma tributária vai fortalecer o trabalho do agronegócio”. Os produtores que adotarem práticas sustentáveis terão acesso a condições diferenciadas, como juros reduzidos.

Fávaro e Haddad também mencionaram, no lançamento do Plano Safra, a importância do AgroInvest, o programa de recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas. “O apetite do mercado para o Agroinvest é voraz, porque, tão importante quanto às questões sanitárias do país, é a questão ecológica”, disse Haddad". Segundo o ministro da agricultura, nos últimos três anos, cerca de 3 milhões de hectares ao ano estão sendo recuperados através do programa.

Acordo Mercosul-União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu, durante a cerimônia de anúncio do Plano Safra, que até o fim de seu mandato, como presidente do Mercosul por seis meses, ele selará o Acordo Mercosul-União Europeia. “Eu não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia”, afirmou. “Eu falei pro Macron [Emmanuel Macron, presidente francês] pra ele abrir o coração e olhar para o verdadeiro agronegócio brasileiro. A gente [Brasil] está deixando de ser aquele país do desmatamento, que o mundo sente ojeriza, para se tornar um país altamente sustentável e o mais valioso, admirável".

O presidente ressaltou que as questões sobre mudanças climáticas são alarmantes e a capacidade do Brasil investir em agricultura regenerativa ‘são lições’. “Muito mais do que estimular o aumento da produção agropecuária e o volume de negócios, com novos mercados internacionais se abrindo para o Brasil, o Plano Safra traz uma enorme possibilidade de continuarmos investindo em preservação, recuperação ambiental”, defendeu. “Os R$ 516,2 bilhões são um passo além de números, é uma ferramenta para consolidarmos a posição do Brasil como o celeiro do mundo”.

Novidades do Plano Safra

  • A partir deste ano, o crédito rural de custeio agrícola passa a exigir a observância das recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Anteriormente restrita a operações de até R$ 200 mil contratadas por agricultores familiares do Pronaf com enquadramento obrigatório no Proagro, a exigência agora se estende a financiamentos acima desse valor e a contratos em que o Proagro não é exigido. O objetivo é evitar a liberação de crédito fora dos períodos indicados ou em áreas com restrições, contribuindo para maior segurança e sustentabilidade na produção. A exceção ocorre somente nos casos em que não houver zoneamento disponível para o município ou para a cultura financiada.
  • Outra novidade é a autorização para o financiamento de rações, suplementos e medicamentos adquiridos até 180 dias antes da formalização do crédito, o que flexibiliza o acesso aos insumos.
  • O crédito de custeio também poderá ser destinado à produção de sementes e mudas de essências florestais, nativas ou exóticas, valorizando iniciativas voltadas à preservação ambiental. Ainda nesse contexto, será permitido o financiamento de insumos e tratos culturais voltados ao cultivo de plantas utilizadas para cobertura e proteção do solo no período de entressafra, incentivando práticas agrícolas sustentáveis.
  • O novo ciclo do Plano Safra traz medidas para facilitar a renegociação de dívidas, oferecendo aos produtores que enfrentaram dificuldades em safras anteriores mais flexibilidade para reorganizar seus passivos e retomar o fluxo produtivo.
  • Um dos destaques desta edição é a ampliação do acesso ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), com R$ 7,2 bilhões. A partir de agora, beneficiários do Pronaf e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) poderão acessar o fundo mesmo que já tenham contratos ativos pelo Plano Safra, aumentando as opções de crédito e fortalecendo a capacidade de investimento e produção no setor cafeeiro.
  • O Plano Safra 2025/2026 também oferece crédito para produção de mudas, reflorestamento e culturas de cobertura, que ajudam a preservar o solo entre uma safra e outra.
  • O governo prorrogou para o período de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026 a aplicação do desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros das operações de crédito rural de custeio. A medida vale para produtores enquadrados no Pronamp e também para os demais produtores que investirem em atividades sustentáveis, com recursos equalizados e respeitados os limites definidos por cada instituição financeira para o ano agrícola.
  • Programas como o Moderagro e Inovagro foram unificados para simplificar o acesso ao crédito e, com isso, houve aumento do limite disponível para investimentos em granjas, possibilitando que essas estruturas se mantenham sempre atualizadas em relação à sanidade animal.
  • O subprograma RenovAgro Ambiental passa a contemplar ações de prevenção e combate a incêndios, além de recuperação de áreas protegidas. Entre as novidades, está a possibilidade de financiamento de ações de prevenção e combate ao fogo no imóvel rural; uso dos recursos para a aquisição de caminhões-pipa ou carretas-pipa; e entre os itens financiáveis, mudas de espécies nativas para a reposição e recomposição de áreas de preservação permanente e reservas legais.
  • O programa de armazenagem (PCA) foi ampliado. O limite de capacidade por projeto passou de 6 mil para 12 mil toneladas, o que contribui para melhorar a infraestrutura de estocagem e escoamento da produção rural.
  • Outra novidade é a ampliação do limite de renda para enquadramento no Pronamp, que passou de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões por ano, permitindo que mais produtores tenham acesso às condições diferenciadas oferecidas pelo programa.