
Ovos
Pixabay
A tendência de alta nos preços dos ovos, observada entre fevereiro e março, foi interrompida em abril, com as cotações recuando ao menor patamar real para o mês nos últimos quatro anos em diversas praças. Na parcial do mês, até o dia 29, os preços acumulam queda de até 14% nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo os pesquisadores do instituto, esse cenário de baixa é resultado, principalmente, do desequilíbrio entre a oferta interna e a procura pela proteína. O recuo nos valores encerra um bimestre de valorização e pressiona as margens dos produtores rurais.
Oferta e demanda em desequilíbrio
Ao longo da segunda quinzena de abril, o ritmo das negociações no mercado avícola diminuiu significativamente. Além da redução natural no ritmo de vendas, o feriado prolongado de Tiradentes impactou negativamente o desempenho do setor no período.
A celebração do feriado reduziu a necessidade de reposição de estoques pelas redes atacadistas e varejistas. Esse movimento gerou um acúmulo de oferta na ponta inicial da cadeia, enquanto o consumo final permaneceu retraído.
Para o público geral, o Cepea explica que a "ponta final da cadeia" refere-se ao momento em que o produto chega ao consumidor nas prateleiras dos supermercados. Quando o consumidor compra menos, o varejo interrompe as encomendas, forçando a queda dos preços na origem.
Histórico de preços e mercado
A queda registrada em abril leva as cotações a níveis históricos que não eram vistos desde 2022. Em termos reais — valor ajustado pela inflação do período —, o patamar atual é o mais baixo para o mês de abril em quatro anos em diversas regiões produtoras do Brasil.
O setor de postura (produção de ovos) vinha de um período de custos elevados e tentativas de recuperação de margem. Contudo, o excesso de proteína disponível no mercado interno sem o acompanhamento da demanda doméstica forçou o ajuste negativo nas tabelas de preços.
O Cepea reforça que a queda nas cotações é uma resposta direta à necessidade de escoar a produção que ficou represada nos galpões durante o feriado. Sem uma reação imediata do consumo, os preços podem seguir pressionados nos primeiros dias de maio.
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