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Preço do algodão registra maior alta mensal em mais de três anos

Impulsionado pela demanda aquecida e pelo cenário externo, o Indicador Cepea se aproxima de R$ 3,90 por libra-peso e reflete novo fôlego no setor

Da redação
DA REDAÇÃO

01/04/2026 • 10:50 • Atualizado em 01/04/2026 • 10:50

Wenderson Araujo/Trilux

Resumo

O preço do algodão em pluma registrou a maior valorização mensal desde agosto de 2022, impulsionado pela resistência dos produtores em vender por valores baixos, demanda aquecida da indústria têxtil e influência do mercado internacional, com o Indicador CEPEA/ESALQ chegando próximo de R$ 3,90 por libra-peso.

O cenário de alta foi sustentado pela postura firme dos vendedores, participação ativa de indústrias e tradings exportadoras e aumento dos custos logísticos e de insumos, principalmente por conta da valorização do petróleo, que encareceu o frete e as fibras sintéticas concorrentes.

O mercado segue pressionado pelo elevado comprometimento antecipado da safra 2024/25, reduzindo a oferta disponível, com o Indicador CEPEA/ESALQ sendo referência para a formação de preços, enquanto oscilações cambiais, ritmo das exportações e condições climáticas determinam as tendências futuras.

O preço do algodão em pluma registrou uma valorização expressiva durante o mês de março, atingindo a maior alta mensal desde agosto de 2022. Após um longo período de estabilidade no mercado nacional, o Indicador CEPEA/ESALQ aproximou-se da marca de R$ 3,90 por libra-peso (lp).

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O movimento de alta é reflexo de uma combinação de fatores econômicos, que incluem a resistência dos produtores em vender por preços baixos e uma demanda crescente por parte da indústria. O cenário internacional também colaborou para elevar os patamares de negociação no Brasil.

Fatores que impulsionaram a valorização

De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a postura firme dos vendedores foi determinante para o cenário atual. Atentos à valorização da fibra no mercado externo, os produtores brasileiros limitaram a oferta no mercado disponível, aguardando melhores oportunidades de negócio.

Pelo lado da demanda, o mercado observou uma participação ativa de dois grandes grupos. Tanto os agentes da indústria têxtil doméstica quanto as tradings focadas em exportação ampliaram a busca pelo algodão, o que gerou uma pressão positiva sobre os preços ao longo de todo o mês de março.

A dinâmica de mercado também foi influenciada por custos logísticos e insumos. A valorização do petróleo no mercado internacional impactou diretamente o setor, uma vez que eleva o custo das fibras sintéticas (concorrentes diretas do algodão) e encarece o frete para o transporte da produção.

Safra e mercado internacional

Outro ponto de atenção destacado pelo Cepea é o elevado comprometimento da safra 2024/25. Com boa parte da produção já negociada antecipadamente, o volume de pluma disponível para novos negócios é menor, o que tende a sustentar os preços em patamares mais elevados.

Para o produtor rural, o cenário exige cautela e monitoramento constante das bolsas internacionais, como a de Nova York. A paridade de exportação e as oscilações cambiais continuam sendo os principais balizadores para a formação do preço interno.

Entenda o Indicador Cepea

O Indicador CEPEA/ESALQ é a principal referência de preços para o algodão em pluma no Brasil. Ele é calculado diariamente com base em negócios realizados entre produtores, indústrias e comercializadores.

O valor é expresso em Reais por libra-peso (lp), que é a unidade de medida padrão no mercado têxtil internacional. Um aumento nesse indicador sinaliza maior rentabilidade para o cotonicultor, mas também pode representar pressão de custos para a indústria de fiação e tecelagem.

A tendência para os próximos meses depende do ritmo das exportações brasileiras e das condições climáticas para o desenvolvimento das lavouras que ainda estão em campo.

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