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O preço do milho registrou queda na região de Campinas (SP) ao longo da última semana, motivado pelo avanço da colheita da safra de verão. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o aumento da disponibilidade do grão no mercado spot fez com que os compradores ficassem mais cautelosos nas negociações nesta segunda-feira (30).
A movimentação reflete a entrada da nova safra no sistema produtivo, o que amplia a oferta imediata e permite que as indústrias e consumidores de proteína animal ofertem valores abaixo das pedidas iniciais dos vendedores. Campinas é a principal referência para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, influenciando o balizamento de preços em todo o estado paulista.
Oferta e demanda nas regiões produtoras
Apesar do recuo verificado no polo paulista, o cenário para o milho não é de queda generalizada no Brasil. Em diversas outras regiões produtoras, os preços do cereal seguiram em trajetória de alta nos últimos dias. Esse movimento é sustentado pela postura firme dos produtores rurais, que evitam fechar grandes lotes no momento.
O principal fator de resistência no interior é a incerteza em relação ao custo do frete. Com a logística pressionada pelo escoamento da safra, muitos agricultores preferem segurar o grão nos armazéns à espera de uma definição melhor sobre as margens de lucro, evitando que o custo do transporte absorva a rentabilidade da venda.
Para entender o mercado "spot" mencionado pelos especialistas, trata-se do mercado de pronta entrega, onde a mercadoria é negociada para liquidação e entrega imediata, diferenciando-se dos contratos futuros.
Ritmo acelerado nas exportações de milho
No front externo, o milho brasileiro apresenta um desempenho robusto neste primeiro trimestre de 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que, nos primeiros 15 dias úteis de março, o Brasil já embarcou 784,2 mil toneladas do cereal para o mercado internacional.
Este volume já representa 90% de todo o total exportado em março de 2025. O ritmo diário de embarques está 14% superior ao verificado no mesmo período do ano passado, demonstrando uma demanda externa aquecida que ajuda a equilibrar o excesso de oferta interna gerado pela colheita de verão.
Impacto da safra de verão no mercado
A safra de verão, também conhecida como primeira safra, é o ciclo de plantio que ocorre tradicionalmente entre setembro e novembro, com colheita no início do ano seguinte. Ela é fundamental para o abastecimento doméstico, especialmente para as cadeias de aves e suínos, que utilizam o milho como base da ração animal.
Especialistas ressaltam que o monitoramento do clima e das condições de transporte será determinante para a formação de preços nas próximas semanas. Enquanto a colheita ganha ritmo, o mercado financeiro observa atentamente se a queda em Campinas irá se espalhar ou se a pressão logística manterá o grão valorizado nas praças distantes dos portos.

