
Segunda safra de milho enfrenta desafios com o clima e ritmo de comercialização
Foto: Jonas Oliveira/SEAB
A segunda safra de milho apresenta desenvolvimento satisfatório na maior parte do Brasil, mas adversidades climáticas em regiões pontuais acendem o sinal de alerta e travam as negociações no mercado físico. De acordo com dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário de incerteza faz com que produtores e compradores adotem posturas cautelosas.
A perspectiva geral para o ciclo atual ainda aponta para uma oferta elevada no país. No entanto, a ocorrência de geadas e o prolongado tempo seco em áreas localizadas de Goiás, do Paraná e de Mato Grosso do Sul preocupam especialistas e agricultores quanto ao real potencial de produtividade das lavouras.
O comportamento climático regionalizado está ditando o ritmo das comercializações. Diante dos possíveis impactos na colheita final, uma parcela considerável de vendedores demonstra forte cautela e recua das novas negociações, mantendo-se firme nos preços pedidos na expectativa de valorização futura.
Por outro lado, o comportamento dos produtores não é uniforme no campo. Há um grupo de agentes que se mostra mais flexível e aceita negociar o cereal por valores ligeiramente menores. A necessidade de liberar espaço nos armazéns para a entrada do novo volume e o planejamento para fazer caixa imediato motivam essa flexibilidade nas vendas.
Pelo lado da demanda, os compradores operam sem pressa no mercado físico nacional. As indústrias e os consumidores de grande porte sinalizam que possuem estoques confortáveis para garantir o abastecimento das próximas semanas, o que reduz a necessidade de aquisições urgentes de grandes lotes.
Dessa forma, os negócios ocorrem de maneira apenas pontual, concentrados exclusivamente nos momentos em que as cotações atingem os patamares mais baixos. Esse descompasso entre a oferta cautelosa e a demanda abastecida resulta em um mercado travado e com liquidez moderada.
A necessidade de liberação de armazéns mencionada pelos pesquisadores reflete um gargalo histórico do agronegócio brasileiro, que é o deficit de estocagem frente ao crescimento recorde da produção de grãos. Quando a colheita da segunda safra — também conhecida como safrinha — avança, a pressão logística obriga o produtor a desovar os saldos para evitar problemas de espaço.
Além disso, o monitoramento das lavouras afetadas por geadas no Sul e pela estiagem no Centro-Oeste segue como o principal fator de formação de preços para os próximos dias. Caso os prejuízos se confirmem nas vistorias de campo, a tendência é de maior retração na ponta vendedora.
Órgãos oficiais como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantêm previsões robustas para o volume total de grãos, mas ressaltam a importância de acompanhar as oscilações climáticas regionais, que afetam diretamente a rentabilidade do produtor rural da porteira para dentro.
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